Elas estão chegando

Por Ana Clara Rezende, Bárbara Torisu, Luiza Boareto, Roberta Heluey e Sabrina Passos.

O movimento feminista teve seu início no século 19 com objetivo de acabar com a opressão e segregação de gênero. A mulher lutou pela igualdade de seus direitos e hoje, conseguimos perceber muitos avanços conquistados.Mesmo assim, o curso de engenharia era em sua maioria de caráter masculino, e por isso, as mulheres enfrentavam bastante dificuldade no a ingresso do curso e no mercado de trabalho.

Nos últimos anos o número de mulheres que cursam engenharia tem aumentado. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 1991, as mulheres correspondiam a 17% dos estudantes de engenharia. Já em 2008, as mulheres passaram para um total de 21% dos estudantes e a previsão é quem 2017 esse número aumente para 23%.

Na Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, a Escola de Minas foi fundada em 1876 e o curso de Engenharia Geológica foi inaugurado em 1957 pelo Departamento de Geologia (DEGEO). Já são 900 alunos formados e, entre eles, 150 mulheres, sendo possível notar  inserção delas no curso. Entretanto, dentre os 28 professores do curso, apenas nove são mulheres, o que mostra que mesmo no meio acadêmico existe uma predôminancia maior dos homens.

A professora Hanna Jordt Evangelista, 62 anos, formou-se em Engenharia Geológica no ano de 1972 pela Universidade Federal de Ouro Preto. Ela também é especialista em “Petrologia de Rochas”. Quando estava na graduação, a professora era a única mulher no curso. Na época, a Escola de Minas abrigava apenas quatro cursos, Engenharia Geológica, Engenharia de Minas, Engenharia Metalúrgica e Engenharia Civil.

Hanna afirma que sempre foi uma boa aluna, e talvez seja esse o motivo pelo qual foi muito respeitada pelos 63 colegas de turma em que se formou. Além disso, afirma que nunca sofreu preconceito dos demais colegas de sala. Havia apenas um certo distanciamento, o famoso “clube do bolinha”. Após a formação, ela já iniciou a carreira na área acadêmica. Havia uma carência de professores no curso de Geologia e Hanna foi convidada pelo próprio diretor da Escola de Minas para lecionar.A situação atual é diferente do que em 1972, quando a professora Hanna concluiu o curso.

O estudante Igor Santos, de 20 anos, está no sexto período de Engenharia Geológica da UFOP e afirma que o curso é o que tem a porcentagem de mulheres e homens mais equilibrada.  E em relação ao “preconceito”, ele fala que as mulheres estão bem representadas e não sofrem  discriminação dentro de sala de aula. Apesar de que, no mercado de trabalho, ainda há uma preferência pela mão-de-obra masculina devido aos trabalhos de campo mais “brutos” e pesados.

Jéssica Dias, de 21 anos, também aluna da UFOP, estudante do terceiro período no curso de Engenharia de Minas, diz que nunca teve a visão de que os cursos de engenharia no geral, seriam cursos, por assim dizer, masculinos. Sempre quis seguir a área e nunca viu problemas ou desafios maiores por ser uma mulher. No entando, Jéssica confessa que é notável a escassez das mulheres em sua sala de aula, e que numa visão geral, o número de homens cursando engenharia é bem maior

A aluna Laís Ferraz Fernandes do quarto período de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), afirma que no curso a quantidade de homens e mulheres é bastante equilibrada, assim como as oportunidades para a realização de projetos de pesquisa e iniciação científica. Mas em relação ao mercado de trabalho, a mulher enfrenta obstáculos, uma vez que o preconceito ainda existe. Já a aluna Letícia Santiago do terceiro período de Engenharia Civil da UFOP, acredita que o mercado de trabalho oferece oportunidades iguais e que não encontrará dificuldade em arrumar emprego.

A engenheira de produção Alline de Castro, que atualmente estuda para os concursos públicos da Petrobras e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos  conta que existe preconceito em relação a mulher engenheira, principalmente trabalhando no meio da produção em si ou em cargos de gerências. Ela reconhece que as engenharias já evoluíram, mas ainda é possível ver a diferença pela proporção de homens em relação as mulheres na Engenharia de Produção, Metalúrgica e Ambiental. O preconceito, na sua opinião, vem de homens mais velhos em aceitar as mulheres no mercado de trabalho,mas já está caminhando para mudar, pois há muitas mulheres em cargos de gerência. Um exemplo é a Petrobras, lembra.

 

turma de engenharia mecânica, 6º período no ICEB

Edição geral: Sabrina Passos 

Reportagem: Ana Clara Rezende, Bárbara Torisu, Luiza Boareto, Roberta Heluey e Sabrina Passos.

Imagens: Roberta Heluey