Assaltos assustam a população de Ouro Preto e Mariana

Falta de policiamento e melhores estratégias de segurança motivam o aumento da criminalidade

Por Clarissa Castro, Fernando Cássio, Janaína Oliveira e Thamiris Prado

Ouro Preto e Mariana sempre foram conhecidas como cidades tranquilas, apesar do movimento turístico e universitário. É comum ouvir dos moradores locais que as cidades pararam no tempo, principalmente pela cultura e estrutura de suas casas no centro histórico, mantidas quase intactas desde o século 18. Em Ouro Preto, as noites costumam ser mais movimentadas, com bares e músicas ladeiras a dentro. Já em Mariana, as praças são as áreas de lazer prediletas de moradores e estudantes, que, também pelo clima mais quente, costumam aproveitar mais as tardes de sol.

Mas o cenário mudou e a insegurança virou rotina nas cidades. Casos de assaltos, que no começo eram isolados, tornaram-se constantes e passaram a assustar moradores, estudantes e taxistas da região.

Em Mariana, principalmente entre os universitários, o número de assaltos tornou-se preocupante. No Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) e Instituto de Ciências Humanas Sociais (ICHS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), os alunos que frequentam as aulas no horário noturno, sentem-se desprotegidos ao passar pelas ruas escuras na volta para casa.

Em Ouro Preto, além dos estudantes, os taxistas estão sendo alvo de assaltos. Amedrontados, estão diminuindo a carga de trabalho, mesmo que isso afete o bolso.

Falta de policiamento

A estudante de Jornalismo Francine Vilas Boas, 22 anos, foi assaltada no dia 4 de abril desse ano, na Rua Direita, em Mariana. Segundo seu relato, a insegurança continua nas ruas, devido à grande ausência de policiamento na região: “Percebi algum tempo após o assalto que, em determinados dias do período diurno, não se via policiais na rua. Precisava de algumas informações e tive que ir atrás de um policial; no Jardim não tinha, na [Praça da] Sé não tinha, em frente ao Banco do Brasil não tinha. É complicado viver em uma cidade que você tem que ‘correr atrás’ de policiamento e segurança”, conta.

Murilo Henrique Garcia, 20 anos, aluno do curso de História, também viveu algo semelhante, mas no seu caso tudo não passou de um susto. Ele andava só, pela rua Dom Silvério, quando percebeu uma atitude suspeita de dois rapazes: “Assim que passei por eles, percebi os passos mais firmes se aproximando. Encostaram em mim para a abordagem e, no mesmo momento, corri em direção ao Jardim, porque lá costumam ficar viaturas da PM”. Apesar da assistência policial, Murilo ressalta que a atuação da polícia marianense é falha: “Acredito que os locais de patrulhamento se resumem apenas ao centro histórico, já que protegem mais os turistas e os patrimônios, deixando a população sem proteção.”

Imagem: Clarissa Castro

Segundo o Secretário de Defesa Social de Mariana, José Luiz Furts, falta recurso e demanda para acompanhar o crescimento da cidade: “Nós temos um efetivo de 120 homens, mas Mariana cresceu muito, principalmente devido à mineração.  A Secretaria de Defesa já comunicou a Samarco e a Vale do Rio Doce que, na convocação do seu pessoal, peçam a certidão negativa de crimes. A maioria desses crimes são cometidos por pessoas de fora que, quando terminam seu contrato com a empresa, permanecem na cidade e passam a fazer esses pequenos delitos”, justifica. Quando questionado sobre a excessiva patrulha aos patrimônios, ressaltada por Murilo, o Secretário diz que nada impede o serviço da polícia: “A função da Guarda Municipal hoje é patrimonial, mas nem por isso ela vai deixar de ser preventiva. Isso é até Constitucional, qualquer cidadão pode agir e prender aquele que está cometendo algum crime.  Dentro de suas condições ela agirá, porque ela não trabalha armada e por isso não pode se expor muito, correr risco. Mas pode tentar agir e amenizar esse problema.”, concluiu.

Apesar de admitir a falta de policiamento, o Secretário disse que medidas serão tomadas para mudar essa situação: “Tive uma reunião com o Diretor do ICSA, onde ele me cobrou segurança. Disse a ele que podemos fazer patrulhamento, tentar diminuir essa imagem de crime. Vamos fazer o cartão programa para as viaturas, com paradas em cima do pontilhão, guardas na Rua Direita. E falei com ele que o Capitão Erli, comandante da Polícia Militar daqui de Mariana, está à disposição para resolver, também, esse problema”, relatou.

Já em Ouro Preto, a situação não é diferente. Os taxistas,  que ficam concentrados na Praça Tiradentes, temem pelos assaltos no Centro Histórico, que se tornaram recorrentes nos últimos meses. Segundo o Sindicato dos Taxistas de Ouro Preto, em três meses foram registrados cerca de oito assaltos entre os filiados.

Imagem: Clarissa Castro

O Diretor Presidente do Sindicato, Oneir Ribeiro, disse que já acionou a Polícia Militar e Civil da região, mas acredita que falta mais atenção aos casos e à segurança dos taxistas: “Tivemos uma pauta em uma reunião com o Conselho Municipal de Trânsito para tratar dos casos de assaltos. Mas de todos os oito casos registrados, só tivemos dois solucionados. Há apenas duas semanas ocorreram mais dois assaltos envolvendo taxistas e até hoje não tivemos um retorno da polícia. É difícil para nós, porque se você chega na Praça [Tiradentes] às duas horas da manhã, todos os dias, não existe nenhum tipo de policiamento. Por falta de segurança, muitos taxistas desistiram de suas rondas noturnas, ou diminuíram a carga horária de trabalho e vão embora mais cedo”, conta.

Até a presente data, não tivemos resposta da Secretaria de Defesa Social de Ouro Preto.

Antes que essa reportagem, que teve apuração de duas semanas, chegasse ao fim, outra aluna do ICSA foi assaltada.

Edição geral: Janaína Oliveira

Reportagem: Clarissa Castro, Fernando Cássio, Janaína Oliveira e Thamiris Prado

Imagens: Clarissa Castro