Entrevista com a banda 6 ponto bola.

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Por Danielle Campez e Larissa Vidigal

O 6 ponto bola, é uma banda de estudantes da UFOP, não necessariamente, mas todos moradores de repúblicas da cidade. Desde 1999, os integrantes que se formam, posteriormente coloca outro em seu lugar. Desse modo já estão na oitava geração da banda: Fernando Pacheco, Evandro Luiz, Alvaro Soares, Guilherme Leão e Ivan Brandão. Os entrevistados Fernando Pacheco (por telefone) e Alvaro Soares (por e-mail) nos contaram como é o dia-a-dia da banda, os rituais, a rotina e o que pretendem depois de concluírem a graduação.

Você fazia parte de alguma outra banda antes do 6.0?

Alvaro – Eu tocava na minha cidade, São Jose dos Campos. Mas quando passei na UFOP, já não tocava mais.

Fernando – Não. Mas tive uma boa educação musical, que me fez desde pequeno ter referências do que era bom e ruim. Também arrisquei a tocar violão, mas cantar foi uma novidade.

Existem muitos conflitos entre vocês? Antes dos shows, durante reunioes, etc…

Alvaro - Às vezes acontecem algumas discussões com relação a horário, quando alguém esquece alguma coisa, do tipo baqueta, cabos e etc. Nos ensaios, às vezes é preciso pedir pra regular o som de alguem, mas, normalmente, o pessoal respeita, não chega a brigar não.

Fernando – Sempre “rola” algumas coisas: chegar atrasado, errar músicas ensaiadas ou não pegá-las. Mas na maioria das vezes, tudo se resolve tomando uma cerveja (risos).

Falando em reuniões, são nelas que há a escolha do repertório, né? Como ele é definido? São escolhas pessoais ou sofre influências do público e da mídia?

Alvaro – Cada um traz uma proposta de música e a gente chega a um denominador comum, e por cada um ter influências e gostos diferentes, o repertório de sugestões tem sempre que ser moldado. Nós vamos pelo bom senso, se alguém acha uma musica boa, leva pra banda e discutimos pra ver se ela “encaixa” no repertório, se sim, entra. Não acho que a mídia nos influencia diretamente. Já o público sim. A ideia é tocar um som que a gente curta e também que a galera goste, então não dá pra ser só influência pessoal.

Fernando - Nosso repertório vai desde Elvis a Cachorro Grande. Procuramos tocar músicas de artistas conhecidos, porém, não tão óbvias. Cada um dá a idéia do que pensou para tocar, todos conhecem o gosto que cada um tem, dentro disso chegamos a uma lista em que as três mais votadas pela banda toda é tirada.

Vocês se definem do genero rock’n roll?

Alvaro - Nós tocamos rock, que é a proposta da banda desde a primeira formação.

Fernando – Sim. Renegamos músicas da moda e procuramos resgatar o que o rock’n'roll produziu de bom nos últimos 50 anos. Repito, tocamos até músicas do rei do rock.

Como é antes dos shows? Há algum ritual?

Alvaro - A concentração antes de todo show é muito importante, justamente para ver se esquecemos alguma coisa, para discutir alguma musica e também passar o som, tomar uma (cerveja) de leve, trocar ideia, essas coisas.

Fernando – Há alguns eventuais rituais, como aquecimento, uma conversa ou outra, mas nada de mais.

O que mantém a banda hoje: a diversão ou alguma ambição além disso?

Alvaro - Diversão, os shows, a experiência de estar em uma banda é muito interessante, fazer som em outras cidades… E é novo tocar pra gente desconhecida e ver a reação do público, mas também temos despesas, seja transporte, comida, bebida, e um bom desempenho da banda reflete diretamente no cachê e o cachê nos equipamentos e qualidade do som da banda. Nós tentamos “andar sobre essas pernas”, sem forçar demais, nem só pela diversão, nem só pelo dinheiro.

Fernando – Esse tempo todo de banda é zelando pela diversão. No entanto, de uns tempos pra cá, tentamos ser mais responsáveis com o som que levamos pra galera. Mas antes era só bagunça. Não temos ambição em gravar disco ou lançar na mídia nosso trabalho. Somos todos estudantes da UFOP, cada um de um curso diferente, mas tentamos ao máximo fazer um som de qualidade.

Vocês têm musicas próprias? Se não, voces não sentem necessidade de fazer suas próprias músicas?

Alvaro – Temos uma música que se chama “Janaína” e outras ainda em criação.

Fernando – Gerações antigas da banda chegaram a gravar algumas músicas em estúdios e shows. Eles apresentavam algumas músicas próprias, mas que se perderam com tempo. Tivemos acesso a essas só no ano passado. Tentamos criar algumas coisas, mas pensamos que temos que amadurecer algumas idéias. É de extrema importância para identidade de uma banda ter um repertório próprio que demonstre qual é seu estilo e o qual público ele tá buscando através de suas letras. Na brincadeira, fizemos uma que se chama Janaína, com uma letra mediana que instiga uma crítica ao axé baiano.

Depois de formar, alguns de vocês provavelmente irão voltar para suas cidades ou pra onde a profissão levar. Quando isso acontecer, vocês pretendem continuar tocando?

Alvaro – Pretendo continuar a tocar sim, mas vai depender de muitas coisas ainda. Mas a principal preocupação dos que se formam no 6.0 é em não deixar a banda acabar, para que continue existindo ROCK’N'ROLL em Ouro Preto!

Fernando – No meu caso, cantar foi uma experiência muito nova com a qual consegui aproveitar ainda mais a vida em Ouro Preto. Ainda não tenho pretensões de montar uma banda logo que sair da UFOP, mas os próprios ex-alunos da banda que residem em BH me convidaram para um projeto posterior à minha formatura (eles também mantém uma banda que faz referência ao 6 ponto bola em BH). Minha única certeza é pela história da banda. Tenho de colocar um novo candidato a vocalista em meu lugar.