A África que conta história através do cinema

Por Nathália Nunes Viegas

Em uma terra marcada pela escravidão, colonização brutal e por guerras civis, as cicatrizes são alicerces para produções cinematográficas. Na África, o cinema é o espaço para a discussão de questões culturais, racismo e segregação social. O continente onde um terço da população vive abaixo da linha da pobreza, possui um polo cinematográfico bem sólido, porém desconhecido.

O cinema começou a ser difundido na África a partir da década de 50, quando o sistema colonial entrou em colapso. O senegalês Sembéne Ousmane, considerado o pai do cinema africano, dirigiu 13 obras cinematográficas e é um dos principais nomes deste contexto. Sembéne nasceu em Ziguinchor, no sul do Senegal, e faleceu em nove de junho de 2007. Ele foi diretor, escritor, produtor e ator. Entre suas principais obras estão: “La noire de”, “Xala”, “Camp de Thiaroye” e “Moolaade”.

Após a consolidação das idependências políticas na África, no final da década de 80, os universos cosmológicos e mitológicos conquistaram o seu espaço no cinema africano, quando este então difundiu-se em países da Europa. Alguns filmes renderam premiações em festivais bem conhecidos, como o longa Yeelen. O filme dirigido por Souleymane Cissé ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 1987. A película levou ao público uma África mística, com uma narrativa clássica e fugiu do cinema politizado de Sembéne.

Festivais na África

Em Burkina Faso, país localizado entre o deserto do Saara e o golfo da Guiné, há um grande evento cinematográfico. O Festival Pan-africano de Cinema e Televisão de Ouagadougouo é o maior festival de cinema da África. O FESPACO, que acontece desde 1969, contempla as obras dos diretores nativos realizadas no continente. Em sua última edição, que aconteceu de 23 de fevereiro a dois de março de 2013, o primeiro lugar ficou com o senegalês Alain Gomis, com a obra Tey.

Porém, o pouco reconhecimento é um dos obstáculos enfrentados pelos cineastas. O artigo “Cineastas africanos: África Subsaariana-norte” escrito para o catálogo Forum.doc BH 2009, revela que a grande dificuldade de distribuição fora da África é resultado da má circulação das obras dentro do continente.

Atualmente, alguns cineastas têm se destacado no cinema africano, como Djamila Sahraoui, autora de Algérie la vie quand même, Barakat! e Yema; Alain Gomis, com as obras L’afrance,  Aujourd’hui e Tey; e o aclamado Moussa Touré, autor de La Pirogue.

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