Música e educação desafinam em Mariana

A inserção de música na educação infantil ainda caminha a passos curtos na cidade

Por Isabela Azi

Sentados em roda, com os olhos fixos no violão, ansiosos para tocá-lo e embalados por cantigas folclóricas os alunos do berçário do Centro Educacional Getsêmani, em Mariana, começam a ser estimulados à musicalização. Segundo a Pedagoga da escola, Renata Martins, é nessa fase que as crianças começam a assimilar sentimentos, emoções, limites e a noção de rotina.

 

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Levando em conta a importância da inserção da música no currículo escolar, foi aprovada em 2008 a Lei nº 11.769, que obriga o ensino de música nas escolas públicas de todo país e contempla as etapas da educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental. A medida, que tinha até 2011 para entrar em vigor, é contestada pela professora de música do Conservatório Mestre Vicente Ângelo das Mercês de Mariana, Karla Morais. Segundo ela, a lei ainda não é uma realidade nas escolas públicas de Mariana e o despreparo estrutural das escolas, assim como a quantidade reduzida de professores seriam problemas caso a implantação da lei acontecesse no próximo ano. “Se isso acontecesse o professor teria que trabalhar mais teoria que prática, o que nem sempre agrada os alunos. A música não pode ser vista como castigo e, nesse caso, a pior alternativa, que é a teoria, é a primeira”, afirma.

Os benefícios

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A música, inserida no planejamento curricular, além de criar nos alunos a consciência de coletividade, auxilia o professor na preparação e realização da aula. Para a professora do Departamento de Educação e Vice- Reitora da Universidade Federal de Ouro Preto, Célia Nunes, “a música pode ser uma grande parceira para a prática pedagógica na sala de aula, especificamente, quando se fala em educação infantil, pois ela constitui um bom caminho para desenvolver não só o conteúdo, mas também na formação de um sujeito integral”.

Outro aspecto fundamental na inserção da música nas escolas são os cuidados relativos à faixa etária. Para a pedagoga, Renata Martins, a música precisa ser adequada à idade e contextualizada ao momento que será trabalhada, pois dessa forma os alunos não se “perdem” no conteúdo. O professor de música, Cleiton Rafael, explica que de zero a dois anos a música deve ser trabalhada como estímulo à apreciação de sons e desenvolvimento da coordenação motora. Os alunos de dois a cinco anos já conseguem desenvolver a noção de ritmo e fazer distinção de diferentes sons. É a partir dos cinco anos que a criança consegue assimilar o ensino da leitura de partituras e de notas musicais e, segundo Cleiton, aos seis anos a criança já está apta a aprender algum tipo de instrumento, pois as noções de ritmo e o raciocínio já estão bastante evoluídos.

De maneira geral, o ensino de música nas escolas tem muito a acrescentar a alunos e professores, incentivando e motivando ambas as partes a trabalhar de maneira mais lúdica e incitante. Para Renata, a novidade desperta o interesse da criança e isso deve ser aproveitado não só na aula de música, mas também nas disciplinas como português e matemática. A professora Célia Nunes, enfatiza que para inserir a música nas escolas, independente da lei, o primeiro passo é reconhecer a importância dela e gostar de música.

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