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Percepções sobre “Batismo de Sangue”

Por Luciamara Leandro

A segunda noite do Cine Festival Inconfidentes teve entre as atrações a exibição de Batismo de Sangue, fita que motivou discussões em torno do tema central do filme, o período da ditadura na Brasil. O longa dirigido por Helvécio Ratton, lançado em 2007, teve seu roteiro adaptado do livro homônimo de Frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo) no qual ele relata a história real de frades dominicanos que realizaram um movimento de resistência a ditadura militar vigente no país. Ao longo do filme os frades são perseguidos pelo regime, presos e torturados.

Após a exibição do longa, Helvécio Ratton promoveu um diálogo sobre o filme contando quão difícil foi dirigir, adaptar e preparar os atores, pois o filme não ficou estagnado nas portas dos “porões” da ditadura. Segundo ele, a produção foi além e mostrou a tortura de uma maneira tão real e intensa que se podia “sentir a dor dos torturados”, justamente a intenção do diretor. Durante o processo de elaboração do filme, o próprio Ratton conversou com os frades sobreviventes que são os personagens centrais da trama para saber deles todo o sofrimento passado: “Eu tive a oportunidade de conversar com os torturadores, mas não quis, pois queria fazer o filme através do olhar do torturado”, revela.

O público presente também participou e alguns questionaram sobre a experiência de dirigir um filme com cenas de tortura tão fortes. Para Ratton, o incômodo maior sempre foi saber que aquelas histórias eram verdadeiras. A instauração da Comissão da Verdade no Brasil também veio a tona no debate. Na opinião do diretor, a Comissão não servirá para prender culpados, mesmo porque a maioria das provas não existem mais. Ele acredita, no entanto, ser importante para que a história não seja esquecida e, sobretudo, episódios como os da ditadura não voltem a se repetir.

Ratton também comentou que o filme tem um potencial maior de emocionar e aproximar as pessoas e transportá-las para o real: “é como nas cenas de tortura, lendo o livro você sentirá aquilo, mas ao ver a cenas a sensação de repulsa será ainda maior”. O filme Batismo de Sangue está entre as produções que irão encabeçar uma mostra sobre direitos humanos que vai percorrer o Brasil em breve.

Veja o trailler de Batismo de Sangue:

Veja parte da cobertura fotográfica das atividades do Festival na página do Inconfidentes no Facebook
 
* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

5X Favela – uma impressão da realidade

Por Daniela Gurgel Damasceno

O Cine Festival Inconfidentes, em sua terceira edição, trouxe ao Teatro Sesi Mariana, em sua segunda tarde, o longa “5X Favela – Agora Por Nós Mesmos”.

Apresentando diferentes olhares, o filme reúne cinco episódios totalmente concebidos, escritos e realizados por jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro e narra a complexa dimensão da realidade social brasileira.

Em meio aos poucos espectadores, o estudante Víctor Augusto Domingues. Aos 12 anos, seu olhar adolescente encontrou-se com os diversos olhares envolvidos na produção do longa. “É a primeira vez que assisto este filme e é interessante como ele descreve tão bem a realidade das favelas”, disse. Víctor Augusto ainda relata que as narrativas inspiradas em situções reais são um estilo que o atrai enquanto espectador: “Gosto de filmes baseados em fatos reais, a gente acaba se identificando com eles”.

O coordenador de cursos Saulo Pereira, 25, ressalta que em relação a outros filmes que ele já assitiu, “5 x na favela” traz uma articulação diferente: “Nota-se que há um ângulo bem próximo da realidade, chego a perceber em cada episódio um sentimento de fraternidade, algo que é muito pouco destacado nestes tipos de filmes”, argumenta. Para Saulo, apesar de alguns episódios apresentarem cenas fortes em termos de violência, valores também são apresentados em igual ou maior teor: “Algumas cenas nos permite analisar que mesmo vivenciando rotineiramente situações difícies, muitos conseguem manter a união e lutar por direitos de igualdade”, completa.

Confira a programação completa do Festival até 07/10.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Inconfidentes apresenta “5x Favela”

Por Bárbara Monteiro

Em seu segundo dia, sexta, 05, o 3º Cine Festival Inconfidentes trouxe o filme “5x Favela”, exibido no Teatro do SESI, em Mariana. A trama, dirigida por um grupo de jovens cineastas brasileiros, moradores de favelas do Rio de Janeiro, foi produzido por Carlos Diegues e Renata de Almeida Magalhães, o longa foi dividido em cinco episódios que abordam diversos temas acerca do convívio social em diferentes comunidades. “5x Favela”recebeu várias premiações no Festival Paulínia de Cinema em 2010.

Poucas pessoas comparecem no local, mas quem foi não se arrependeu. O estudante de jornalismo da UFOP, Iago Rezende aprovou o filme: “São cenas do nosso cotidiano passadas de maneira clara e verdadeira. Muitas pessoas pensam que é sensacionalismo, mas pelo contrário, o filme não é nada ficcional”. Já o estudante Pedro Moura do curso de administração comentou sobre a equipe de diretores: “É um filme que mostra muito sobre nossa cultura. Os diretores vieram de comunidades e estão representando o que sempre viram muito próximo deles. Um excelente trabalho!”, relatou.

Veja outras atrações do segundo dia de Inconfidentes.

Veja as matérias sobre a programação do primeiro dia de Festival.

 * A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

O subúrbio carioca no Festival Inconfidentes

Por Caio César de Souza Gomes

O Teatro SESI Mariana tornou-se um pedacinho do Rio de Janeiro na tarde desta sexta, 05. Isto porque no segundo dia do Festival Inconfidentes foi exibido o longa 5x Favela – Agora por nós mesmos. O filme, lançado no ano de 2010, conta cinco histórias diferentes, todas dirigidas por jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro. Desde o jovem estudante Maycon, personagem do primeiro capítulo, ao curioso caso do técnico de companhia de luz ‘sequestrado’ no último episódio, podemos ver um desfile de temas que cercam o cotidiano dos moradores de comunidades carentes. Ética, educação, amizade, amor, e claro, sem ignorar a violência e as dificuldades do dia a dia. O filme é realmente uma viagem por dentro do subúrbio carioca.

O pequeno público, que no começo recebeu de forma desapontada a confirmação de que o evento não contaria com a presença de uma das produtoras do filme, logo se animou com o enredo tantas vezes trágico e também cômico, que tratou de arrancar boas risadas dos presentes. Gabriel Ferreira, 18 anos, estudante da UFOP e carioca de carteirinha, foi um desses. Sem deixar de lado, é claro, os temas pertinentes de violência que ainda assolam o seu estado, para o estudante o filme “é uma ótima forma de ver como as comunidades carentes e seus moradores sofrem com as faltas de oportunidade, como no caso de Maycon no episódio ‘Fonte de Renda’ e a violência, mas mesmo assim dão aquele conhecido jeitinho brasileiro e conseguem fazer com que histórias tristes tenham um final feliz”, disse.