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O jornalismo esportivo

“Em cada cobertura há fatos relevantes e diferenciados.”

O jornalista Odilon Amaral palestrou na SECOM sobre sua experiência na cobertura de esportes e as características do jornalismo esportivo, pensando a conjunção de palavras e imagens. Para “passar a mensagem” é preciso ter um bom texto, chamar a atenção para a cena, ter plasticidade nas imagens, um ruído que funcione, ou seja, um efeito sonoro com significado, como a agitação da torcida. O som ambiente aproxima o expectador da matéria, afirma, e a narrativa representa o diálogo entre as imagens e momento exibido.

Para Odilon é essencial pesquisar, aumentar o repertório, buscar mais elementos e fatores atrativos para se obter uma boa reportagem.

Existe sempre uma dúvida, o que mostrar? Segundo ele é interessante mostrar um ponto bonito, uma jogada marcante, um salto espetacular e, também, não se prender à descrição cronológica, como em um jogo de futebol, pois é preciso evidenciar os fatos relevantes. Não dá para mostrar a dimensão de um lance na TV. Odilon Amaral defende que é sempre bom tentar dar um exemplo de algo mais simples e de mesma dimensão para que o telespectador saiba relacionar a distância do lance. Em uma reportagem é preciso ter recursos audiovisuais, informações consistentes e uma narrativa atraente. E ainda dá a dica: fugir do fácil, o simples é recomendado.

“Não existe forma para narrar diversas histórias, em cada cobertura há fatos relevantes e diferenciados. A melhor forma de dar a informação é em um formato de crônica, pois expõe sua forma pessoal de compreender os acontecimentos e porque a crônica traz informação e entretenimento”, destaca o jornalista.

A aluna Viviane Ferreira, que adora futebol, comentou que a palestra de Odilon Amaral trouxe acréscimos em sua formação e só aumentou a vontade de trabalhar com jornalismo esportivo.

Texto: Patrícia Souza

Professores sugerem a busca de uma outra narrativa para o jornalismo

Texto: Eloíza Leal, Lucas Lima e Yasmini Gomes

Áudios: Fádia Calandrini e Rayanne Resende

Fotos: Lincon Zarbietti

“Outra Narrativa é possível” foi o tema da mesa desta quinta-feira, 21 de outubro, da Secom, que contou com a presença dos professores Vera França, da Universidade Federal de Minas Gerais, e de Fernando Resende, da Universidade Federal Fluminense. A partir do tema, eles enfatizaram a idéia de que o jornalismo deve ser entendido como uma narrativa, apesar de que nem todos os seus gêneros, como a fotografia, se pautem nesse princípio.

Vera França enfatizou três fases distintas da narrativa no jornalismo. No primeiro plano ela é vista da perspectiva do narrador; cabe a ele criar situações de conflito e unir os laços que vão construir a história dos sujeitos. Em uma segunda etapa, ela é marcada pelo compartilhamento da informação. Por fim, a narrativa é marcada pela tentativa de ter uma linguagem objetiva.

A professora comenta que em todos esses momentos tentar separar a narrativa do narrador é uma grande ilusão do jornalismo. “Narrar é dar sentido as coisas do mundo, estabelecer um andamento. Atrás da narrativa, com maior ou menor evidência, está o narrador”, afirma.

A respeito do enquadramento dos fatos, a professora disse que “narrar um acontecimento é estabelecer sentidos, juntar elementos e tecer uma história”. Ouça um pouco mais sobre isso:

Fernando Resende complementou afirmando que o jornalista deve dar vida aos acontecimentos, aos objetos dos quais falamos e aos sujeitos que nos referimos. Ressaltou ainda que a narração é sempre uma tentativa de se comunicar com o outro, assim o narrar jornalístico está ancorado em fatores sociais e históricos. Produzimos sentidos para que os outros nos entendam.

É nesse contexto que o jornalismo deve ser entendido como cultura. “O jornalista em um tempo tem um papel, em outro tempo possui outro, isso é cultura. Essa dinâmica que está em questão todo o tempo é o jogo cultural”.

Ao questionar se uma outra narrativa para o jornalismo é possível, Fernando Resende citou o filosofo Roland Barthes, “inúmeras são as narrativas do mundo”. O palestrante explicou que para experimentar outros modos na narração, o jornalismo precisa dialogar com a literatura, documentário, quadrinhos e novas mídias. Para ele, esses formatos diferenciados “dão parâmetros para as técnicas narrativas, fazem um cruzamento produtivo entre ficção e realidade e oferecem um deslocamento de formas, um reposicionamento de sujeitos”.

O professor fala mais sobre a diversidade de narrativas no jornalismo:

Fernando Resende exibe documentário realizado no México

Na discussão sobre as outras narrativas possíveis para o jornalismo, Fernando Resende apresentou o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”, realizado a quatro mãos com a jornalista Tatiana Carvalho. O curta mostra o cotidiano de pessoas que escrevem cartas para pessoas na praça da cidade do México, ocupação tradicional existente desde o século XIX.

O curta foi produzido em um período de cem horas durante a quarta edição do Festival Internacional de Documentário do Distrito Federal mexicano, realizado em 2009. O documentário foi o único vídeo brasileiro premiado no evento, recebendo uma menção especial do júri, pela sensibilidade e delicadeza ao tratar do tema.

Confira o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”: