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Longa de Helvécio Ratton discute comunidades e meios de comunicação

Por Gabriela Ribeiro da Costa

A exibição do longa-metragem “Uma onda no ar” fez parte das homenagens ao cineasta mineiro Helvécio Ratton no Festival de Cinema Inconfidentes, encerrando a programação de sábado (06) no SESI Mariana. O filme é inspirado na história da Rádio Favela FM, de Belo Horizonte, e mostra a importância da comunidade se apropriar dos veículos de comunicação para o seu desenvolvimento.

Para o professor de telejornalismo da UFOP Adriano Medeiros, organizador do evento, a exibição do longa foi uma aposta para um processo de aproximação do público: “É um facilitador, um certo espelhamento como acontece, por exemplo, no telejornalismo: eu vejo um primo em um telejornal e vou querer assistir mais aquela reportagem por que aquilo de certa forma nos liga”, explica.

“Uma onda no ar” foi escolhido também por estar relacionado ao curso de jornalismo. Adriano fala que já até mesmo usou o longa em sala de aula, principalmente por trazer a possibilidade de discussão do uso dos meios de comunicação pela comunidade como um modo de desenvolvimento da própria comunicação, da arte, da cultura e de questões sociais e políticas, conforme é retratado no filme.

O longa conta a história de quatro jovens amigos que vivem em uma favela de Belo Horizonte e têm o sonho de criar uma rádio que seja a voz do local onde vivem, no entanto, obstáculos como o tráfico e até mesmo a morte impedem alguns deles de alcançarem esse objetivo. Quando a Rádio Favela é finalmente criada, mesmo ilegalmente, conquista a todos os moradores por sua programação incomum. O sucesso da rádio comunitária repercute fora da favela, trazendo também inimigos para o grupo, que acaba enfrentando a repressão policial para o fechamento da rádio.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Diretor de “Batismo de Sangue” participa de conversa no Festival Inconfidentes

Por Livia Ciccarini

A exibição do longa “Batismo de Sangue”, durante o Cine Festival Inconfidentes, contou com a presença do diretor e roteirista do longa, Helvécio Ratton, fechando a programação da sexta-feira, 5, segundo dia de evento. Após a sessão, a platéia teve a oportunidade de conversar com o diretor, que subiu ao palco para contar sua experiência durante as gravações do filme que fala sobre o período da Ditadura Militar no Brasil sob o ponto de vista dos torturados, um deles, Frei Betto, autor do livro utilizado como obra-base para a criação do filme.

Ratton, homenageado do Festival, respondeu perguntas da platéia e na presença de professores e alunos da Universidade Federal de Ouro Preto, abordou assuntos relacionados a produção de seus longas e a perda de arquivos relacionados a ditadura.

Para Anderson Mederios, 28, professor de jornalismo na UFOP e diretor de produção do Inconfidentes, conversar com Ratton foi uma possibilidade de abrir os olhos e desmistificar suas opiniões sobre o filme “Batismo de Sangue”: “Achei uma oportunidade interessante conversar com quem está no mercado produzindo. Eu, que ainda não havia assistido ao filme e trabalho com comunicação e cinema, aprendi muito”, afirma.

A conversa que durou cerca de uma hora e meia e também foi avaliada como proveitosa pela estudante de Jornalismo da UFOP Isadora Lira, 19: “Além de ter contato com o universo do cinema, foi uma grande oportunidade de conhecer mais sobre uma parte triste da história do nosso país”, explicou.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Helvécio Ratton participa de debate em Mariana

Por Ana Paula Abreu

Foto: Ana Paula Abreu

Quem esteve no Teatro e na Galeria SESI – Mariana na noite do segundo dia da 3ª edição do Cine Festival Inconfidentes pode conhecer mais de perto o trabalho do cineasta Helvécio Ratton, homenageado do Festival. O cineasta participou do lançamento da Exposição Pulsando Quimeras – Contextualizando Helvécio Ratton e logo depois esteve presente na exibição de seu longa Batismo de Sangue, diálogando com o público sobre as percepções a respeito do filme.

Entre os espectadores estavam muitos estudantes da cidade. Miguel Pereira era um deles. Ele cursa História e se interessou pelo filme por tratar da ditadura militar, assunto que considera ainda não totalmente explorado.

O estudante de ensino médio Taíde Souza, da Escola Monsenhor José Horta, contou que ele os outros colegas de sala se reuniram a pedido da professora de história a fim de conhecer mais sobre a ditadura militar no Brasil. Segundo Taíde, o filme “parece muito real, esclarece muitas coisas  sobre aquele período”.

No debate, Ratton contou sobre a dificuldade de produzir o filme: “nós recriamos o que aconteceu, e foi uma realidade difícil. Por isso fazer o filme também não foi nada fácil”.  Afirmou ainda que teve a oportunidade de conversar com torturadores da época, mas optou por não fazê-lo, pois queria contar a história pela visão do torturado. O cineasta encontrou resistências no desenvolvimento do trabalho pelo fato de a ditadura militar ser um tema pouco abordado no Brasil. Mas, afirma, “a melhor forma de superar os fatos é conhecê-los a fundo”.

Ao final do debate, o cineasta deu uma prévia sobre o provável tema de um de seus próximos trabalhos: o consumismo desenfreado.

 * A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Crianças no Festival Inconfidentes

Por Rayssa Amaral

As tardes do 3º Cine Festival Inconfidentes, nos dias 6 e 7 de outubro, foram marcadas pela presença das crianças na Mostra Futuro. Foram exibidos sete filmes para crianças “de todas as idades”. Em Ouro Preto a Mostra contou ainda com uma sessão de desenhos após as exibição, sendo a programção de maior público no Festival.

Anderson Medeiros, professor do curso de jornalismo e diretor de produção do festival falou sobre a ideia de fazer uma programação especifica para o público infantil: “Desde a primeira edição fazemos essa Mostra e temos grande satisfação. É uma forma de expressarmos gratidão as comunidades de Ouro Preto e Mariana que acolhem a universidade, agregar da melhor forma possível a comunidade ao meio acadêmico, e essas crianças em algum momento estarão ligados a universidade, seja por projetos de extensão ou como futuros alunos”.

O menino Maluquinho: o filme, de Helvécio Ratton, foi a sensação entre as crianças. Bianca Bueno, aluna de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto falou da importância da participação do público das cidades no evento: “A comunidade participar e ser presença ativa no Festival é muito importante, mostra o reconhecimento do esforço e empenho da equipe e do trabalho que vem sendo desenvolvido pela universidade. O resultado positivo da Mostra é muito gratificante”.

Outros filmes que fizeram sucesso entre as crianças foram Do lado de fora, de Paulo Vinícius e Matheus Peçanha; Eram os deuses extraterrestres?, de Cacinho; Missão Estelar, de Raphaela Teles; O reino do chocolate, de Rafael Jardim; Pequenas Histórias, de Helvécio Ratton e L , de Thais Fujinaga.

Ibitipoca droba pra lá

Por Marcos Resende

No domingo, 7, o último dia do 3º Cine Festival Inconfidentes dividiu cena com as eleições municipais de Ouro Preto e Mariana. A partir das 15 h o espaço do Festival foi da exibição de curtas, longas e debates sobre variadas obras. Uma das últimas produções acompanhadas pelo público foi o lançamento e debate do longa Ibitipoca droba pra lá, de Felipe Scaldini, programação desenvolvida em Ouro Preto. O documentário retrata, por meio de depoimentos de várias gerações de moradores dos arredores do Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte, a mudança do cotidiano e, consequentemente, dos costumes, da população dessa região.

Scaldini se envereda pelos vilarejos mais isolados na serra para colher testemunhos peculiares de uma das gerações, que segundo ele próprio, talvez seja uma das últimas a morar nos arredores do Parque. O longa mostra que são várias as causas da perda de habitantes do local – constante desmatamento, jovens que partem para grandes centros e o aumento contínuo do fluxo de turistas – este que divide a opinião dos moradores. De um lado, temos quem concorde e apoie a vinda dos turistas, dada sua atração de recursos para o local. De outro, uma parcela da população que, apesar de reconhecer o desenvolvimento da região, recriminam a vinda dos turistas, tendo em vista o rastro de “baderna e sujeira” que deixam para trás.

Entre depoimentos únicos e o registro de paisagens fascinantes, Scaldini revela que ficou comovido durante a produção do longa com a hospitalidade dos moradores da serra. Segundo ele, os moradores das redondezas do Parque do Ibitipoca são a amostra da legítima hospitalidade mineira: cafezinho, pão de queijo e cama quente sempre disponíveis durante suas filmagens.

O Parque Estadual do Ibitipoca engloba uma área de 1.488 hectares e é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. A entrada é limitada pela administração. É permitido camping dentro do parque, que conta com uma infraestrutura de banheiros, restaurantes e lanchonetes.

Assista ao trailer de Ibitipoca droba pra lá:

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Leonardo Barcelos apresenta “Balança mas não cai” no Inconfidentes

Por Ana Clara Teixeira de Castro

Quase ninguém apareceu. E o vazio combinou com o tema do documentário, parecia de propósito. Foi na tarde de sexta, 05, no Teatro Sesi Mariana. O filme de Leonardo Barcelos, Balança mas não cai, fala sobre um prédio, construído na década de 40 em Belo Horizonte, na esquina da rua Tupis, que estava abandonado, em vias de desabar. Trata do assunto a partir do mito, um prédio de 17 andares, em formato de triângulo, como a proa de um navio ancorado.

O documentário traz uma mistura de ficção e realidade, com depoimentos de antigos moradores, histórias contadas e realidades vividas. Mas há, também, dentro da história, as cenas gravadas no abandono do prédio. Com jogos de luzes e enquadramentos diversos, as janelas sempre se mostram. E escondem ou evidenciam, dependendo do olhar, os escombros do lugar, seus fantasmas ou fantasias, sua paisagem ou o conteúdo do cômodo.

Cada relato, um sentimento: as lembranças não tinham sido desocupadas. O medo do cair era latente desde seu início. Parece que até o movimento das nuvens contribuía para que o balanço fosse cada vez mais evidente. O edifício teve auge e decadência. Foi morada de muitos estudantes, jovens promissores ajudados pelo equívoco do abandono. E, mais tarde, da classe marginalizada da cidade grande. Está agora em reforma. E a sensação transmitida é de revitalização não só do patrimônio como também dos corações que o ocuparam.

Existia, na época, uma efervescência de pensamentos, sensações. As paredes escritas revelavam um pouco de sua história, sua memória era também estrutural. Não se entrava ali como se entra em uma obra nova. Os moradores não tinham nome, talvez pela enorme quantidade de histórias, podendo assim caber em todos, por igual, “O Balanço” como identidade.

Conheça o blog do filme.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.