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A culpa não é minha

Por Kênia Marcília

A preocupação com a questão ambiental é recorrente nas discussões no âmbito acadêmico, nas escolas e até mesmo no convívio familiar.

Termos como poluição, escassez, desmatamento, efeito estufa, se tornaram comuns no vocabulário do brasileiro, além da afirmativa constante de que é necessário conscientizar a população, mas isso não é contraditório? Todos os dias são veiculadas campanhas publicitárias sobre preservação, nos jornais matérias sobre o caos e consequências da degradação ambiental ocupam grande espaço, palestras abertas ao público, disciplinas cujo eixo principal é a consciência ambiental são acrescentadas ao currículo escolar, sem falar na realidade visível que nos cerca e ainda assim reafirmam o discurso sobre a conscientização.

A palestra ministrada pelo professor Reges Schwaab, durante a realização da Secom, na tarde do dia 26, enfatiza essa dispariedade. As pessoas sabem, vêem e sentem na pele as consequências da destruição ambiental, mas comumente recorrem às justificativas de que “não sou o único responsável”, “sozinho não faço diferença” e o pior! “Não tenho tempo pra pensar nessas coisas”.

Transferir a culpa para o outro é uma prática comum entre os brasileiros, queremos soluções políticas, responsabilizamos as grandes empresas, as leis ambientais, é claro que esses segmentos têm ligação e responsabilidade direta com questão ambiental, o que não nos redime e libera da responsabilidade individual, e aqui, o jornalismo tem papel inquestionável, muito mais que alertar cobrar e disseminar discussões acerca do compromisso do cidadão com o meio ambiente.

Uma fala do professor Rege me chamou a atenção durante a palestra: “Estamos caminhando para um colapso”. Assustador, mas inquestionável, resultado dessa afirmativa suicida com a qual infelizmente e vergonhosamente nos acostumamos: “a culpa não é minha”.

Jornalismo ambiental é uma especialidade

O objetivo principal do jornalismo ambiental é gerar debates e discussões, mostrar o lado controverso, dar voz a novas maneiras de se pensar em soluções para os problemas acerca da relação homem x natureza. Ministrada no dia 26 de outubro pelo professor Reges Schwaab na Semana de Comunicação (Secom), a palestra traçou uma linha cronológica desta relação, desde a idade média até os dias de hoje, e foi possível compreender que depois de mais de três séculos degradando os recursos naturais, exploramos a terra a tal ponto que esses recursos caminham para o esgotamento.

Segundo o professor, nós não temos como não gerar impacto ambiental, por mais ecológica que seja a intervenção do homem. Deve-se romper com o paradigma de que a natureza está a nosso serviço, parar de tratar o ser humano como sujeito e o meio ambiente como objeto, pois só assim surgirão novas formas de ver, pensar e agir no mundo.

A formação depende de escolhas pessoais

Normalmente é necessário buscar o próprio conhecimento acerca do jornalismo ambiental, e sobre meio ambiente, desde os conceitos mais básicos aos jargões utilizados na área. Por isso faz-se necessário inserir o tema como disciplina obrigatória nos cursos de comunicação, para que a realidade seja percebida de forma diferente, complexa e completa”, defendeu Reges.

Texto: Tamires Duarte

Tudo está conectado

“Culturalmente formamos uma visão do que é estar na natureza. E é a partir disso que percebemos as agressões que são feitas a ela”, diz Reges Schwaab.

A Semana de Estudos em Comunicação Social (Secom) agita os estudantes de Jornalismo da UFOP nesta semana, em Mariana. O projeto procura expandir os horizontes daqueles que se interrogam quando o assunto é o caminho a escolher no vasto âmbito da futura profissão. A Secom oferece aos alunos palestras, mesas e oficinas sobre os diversos assuntos do universo jornalístico.

A mini palestra Jornalismo Ambiental teve como convidado o professor Reges Schwaab, formado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Ambiental. A fim de expor os pontos do meio ambiente que se conectam ao todo, pensando numa forma sistemática, o professor apresentou um trecho do filme Ponto de Mutação, de Bernt Capra, inspirado no livro do irmão Fritjof, físico canadense, tenta explicar a ideia de que nós somos parte de uma teia de uma relações. Um texto encomendado pela ONG Leia Brasil também foi discutido e analisado. Encerrando a palestra, vários sites sobre meio ambiente foram apresentados e foram feitos convites para futuras palestras que contribuem para o estudante que tem interesse nessa área.

Texto: Caroline Gomes

Jornalismo Ambiental é um dos temas do primeiro dia da Secom

Teve início na quarta-feira, 20.10, no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), em Mariana, a III Semana de Estudos em Comunicação Social – Jornalismo (Secom). O evento, que se extenderá até o próximo dia 28, mobiliza professores e alunos em torno de palestras e mini cursos, que contribuem de forma positiva para a ampliação do conhecimento dos estudantes a respeito do jornalismo.

A palestra que tratou do Jornalismo Ambiental foi um dos pontos de partida para a Secom. Ministrada pelo professor Reges Schwaab, doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), a palestra teve início com um levantamento dos problemas ambientais mais frequentes, partindo da visão de mundo primitiva, passando pela Grécia Antiga até chegar à visão contemporânea. Pontos bem próximos à nossa realidade também foram abordados através de depoimentos dos próprios estudantes, como, por exemplo, a poluição industrial na cidade de Ouro Preto.

Em outro momento, o professor identificou os elos que podem existir entre o jornalismo e o meio ambiente, e destacou também o papel do jornalista na busca por soluções para os problemas ambientais. Mostrou ainda como a relação entre esses profissionais, a população em geral e as empresas pode surtir efeitos que contribuam para uma preservação ambiental cada vez mais maior.

Texto: Hiago Castro

O papel do comunicador na questão ambiental

Na tarde do dia 26 de outubro, ocorreu a palestra sobre Jornalismo Ambiental, ministrada pelo professor da UFOP, Reges Schwaab. Podia-se notar as expectativas dos alunos presentes, sendo que até alguns não pertenciam ao curso de Jornalismo, mas se interessavam pela área ambiental.

Não quero dar nenhuma catequese contra o sistema.Quero mostrar como pensar na realidade em uma forma mais complexa“, foram as palavras do professor Reges no início da palestra.

Dando início, foi debatido sobre às visões de mundo, cultura e natureza relacionadas aos paradigmas criados pelo homem, como a antiga idéia que os recursos naturais seriam inesgotáveis e principalmente à visão cartesiana que prega que tudo está fragmetado e isolado em seus devidos lugares.

Foi analisada a relação do homem com a natureza desde a pré-história até a contemporaneidade. Assim, foi observado que apenas a partir da década de 1950, começaram a surgir os primeiros movimentos ecológicos. A partir daí, foi discutido o fato que a visão cartesiana devia ser superada, pois na natureza tudo se estabelece em sistemas conectados, logo é preciso mudar a visão de mundo para resolver os problemas ambientais.

Para ilustrar essa ideia, foi mostrado um pequeno trecho do filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro do autor Fritjof Capra.

O Jornalismo entra em ação

Os meios de comunicação, voltados para o meio ambiente, passam a transmitir informações de como os indivíduos devem agir para preservar o planeta. Entretanto, há um desafio: estabelecer uma ordem temporal de longo prazo a fim de mostrar o que deve ser feito.

O Jornalismo nesta área passa a ser uma espécie de conscientizador, sendo usado como uma maneira de cidadania para alertar sobre a questão da produção e do consumo em larga escala.

O Jornalismo ambiental é uma especialidade, mas não uma especialização“, diz o professor Reges.

99,9% dos cursos de jornalismo no Brasil não há a cadeira eletiva de Jornalismo Ambiental. Como área é preciso buscar uma formação, compreender perfeitamente os conceitos, o que proporciona um aprofudamento no conhecimento do jornalista, fazendo com que o tema ambiental possa ser aplicado em outras editorias.

É importante ressaltar que o público tem o direito de obter informações sobre impactos ambientais causados por empresas locais. Novamente, entra o papel do jornalista, ou seja, do comunicador.

Contudo, além de buscar por tecnologias eficazes que não causam forte impacto ao meio ambiente, é preciso informar sobre a ética ambiental para que a população tenha um comportamento sustentável. Logo, é usado o papel do jornalista como comunicador social a fim de conscientizar.

Texto e foto: Gisela Cardoso Teixeira