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Jornalismo geopolítico e as relações internacionais

Grandes fatos da geopolítica mundial foram discutidos na tarde do último dia da Semana de Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto. A palestrante Helenice Almeida Santos é geógrafa de formação e no seu currículo constam diversas experiências profissionais, lecionando desde o ensino médio até cursos superiores de jornalismo.

Durante o encontro, Santos contou sobre seus inúmeros trabalhos ao redor do mundo, buscando passar o outro lado das notícias que não são retratados pela mídia Segundo ela, o que chega ao Brasil é uma matéria extremamente parcial e tendenciosa. Os grandes veículos de comunicação cobrem apenas o que acontece no instante em que se torna público, sem preocupar em estudar a fundo as causas dos acontecimentos. Os enviados especiais noticiam o fato de uma maneira restrita, levando em consideração apenas o que é manchete no momento.

Para ilustrar essa realidade, a geógrafa citou os exemplos de países da América Latina que na nossa visão parecem verdadeiras ditaduras. É o caso de Cuba e Venezuela, onde em sua visão, Fidel Castro e Hugo Cháves fizeram muito bem ao povo daqueles países. Lá, as pessoas veneram seus líderes e os defendem a todo custo. E o que chega pra nós é apenas o descontentamento da parte mais rica da sociedade que não se sente privilegiada com as decisões do governo.

“O Jornalismo internacional é o mais abrangente dos jornalismos, já que trata de diversos assuntos do cotidiano de outros países, como cultura, economia, política, acidentes, natureza, etc. Qualquer fato que lá ocorra, por mais ínfimo que seja, é fato internacional, já que não acontece no nosso ambiente doméstico, o Brasil.” – disse

A palestra também deu grande ênfase ao papel das relações internacionais no jornalismo geopolítico. Para Santos, o jornalista de um caderno “mundo” deve estar sempre conectado a tudo que acontece ao seu redor não só no Brasil, mas principalmente no exterior, pois só dessa forma conhecerá a fundo o que ocorre lá fora e produzirá um bom trabalho nas redações.

Questionada a respeito do porque a imprensa brasileira suprime tanto os acontecimentos da América Latina, explicou que o país não vê interesse em colocar nas manchetes o seu “primo pobre” e exemplificou, citando exemplos de tragédias como tsunamis, terremotos e enchentes, que são as únicas maneiras de as camadas mais baixas da população se sobressaírem na mídia.

Texto: Janderson Coimbra

Política às claras

Professores de Comunicação dirigem palestra sobre o jornalismo político e seus riscos

No último dia da Secom, aconteceu a Mini-palestra sobre Jornalismo Político, ministrada por Marcelo Freitas, jornalista e professor da Faculdade Estácio de Sá, em Belo Horizonte, e Hila Rodrigues, jornalista e professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Ambos já trabalharam no jornal Estado de Minas.

Para iniciar a palestra, eles usaram o exemplo do caso ocorrido em agosto de 2001 sobre o salário dos deputados estaduais mineiros. Marcelo deu exemplos de deputados que denunciaram depósitos extras em suas contas bancárias nos anos de 1994 e 1999. O interesse para a investigação partiu de uma declaração do deputado Aécio Neves em 2001 dizendo que “ bom mesmo era ser deputado estadual em Minas”.

Hila e Marcelo dividiram as etapas do noticiário em 5 que são: a publicação da informação, a reação popular, novas denúncias, o reconhecimento do erro e o acordo com o Ministério Público. A primeira matéria publicada do caso mostrava a declaração do Imposto de Renda de um deputado. A reação popular foi de condenação dos deputados, já a dos deputados foi que com tempo a notícia perderia força, mas novas denúncias fizeram a notícia “subir as escadas”.

O reconhecimento do erro foi quando a Assembléia decidiu reduzir o salário para R$ 27 mil, mas nas pesquisas de Hila esse salário era inconstitucional. Sendo assim, foi feito um acordo com o Ministério Público de redução para R$ 18 mil.

Hila falou sobre quando uma quebra de off pode ou não ser feita. Também falou sobre compra e venda de informação. Quando perguntado sobre os riscos da profissão, Marcelo diz que existem riscos em todas as áreas do jornalismo, mas que no político esse risco é mais claro. Já a questão de posição partidária dos jornais ele diz que essa deveria ser transparente e não mascarada.

Texto e foto: Geovani Barbosa Fernandes

Da máquina de escrever à “era freelancer”

Por: Caroline Gomes

Cansado de trabalhar em redação e procurando independência, Alexandre Rodrigues conta sua história aos estudantes

Foi com um papo bem descontraído que Alexandre Rodrigues, jornalista freelancer, deu início a mais uma palestra na Semana de Estudos em Comunicação Social – Jornalismo (Secom). Aconteceu nessa manhã, dia 27, a mini-palestra: “Jornalismo Freelancer” que contou com a presença de cerca de 30 alunos que assistiram e se divertiram com os casos de Alexandre em sua vida “freelancer”.

Em um primeiro momento apresentou as três fases do Jornalismo ao longo dos anos, o que garantiu aos estudantes distinguir mudanças bruscas ocorridas. No início, o Jornalismo era considerado “bico” e não configurado profissionalmente. Mais tarde, já reconhecido como profissão, requer uma exclusividade maior por parte de quem o opera. Nos dias atuais, finalmente chegamos a “Era Freelancer” onde os conteúdos estão em todo lugar, permitindo uma escrita sob qualquer circunstância.

O estudante de Jornalismo Hiago Castro, 18 anos, aprovou a palestra. “Eu achei interessante porque aprendemos a nos ‘virar’ mesmo quando não temos nosso nome associado a uma grande empresa, de forma que nunca falte trabalho”. Alexandre deixou claro que no Jornalismo Freelancer você é seu chefe.

 

Reportagem Freelancer

Por Viviane Ferreira

“Redação Sozinha: cada pessoa pode ser uma”. Foi com essa frase que o jornalista Alexandre Rodrigues definou um novo tipo de profissional no jornalismo, o repórter freelancer. Mostrando que na era freelancer o jornalismo tradicional deu espaço para um jornalismo diferente, onde o repórter pode ser uma redação sozinha, o seu próprio chefe.

Existe um grande mercado para isso como revistas, sites de projetos e livros; basta a pessoa ter boas ideias, disciplina, respeitar os prazos e saber usar ferramentas como twitter e blogs. A internet é a chave para isso, pois o conteúdo está em todo lugar, blogueiros, twiteiros e mesmo perfis no Facebook concorrem com o jornalismo tradicional sendo esse transformado para uma nova concorrência: a online.

Rodrigues, cansado da rotina e do estresses das grandes redações, diz ter encontrado assim uma forma de jornalismo diferente e agradável. Trabalha com contéudo por encomenda, com isso afrma ter melhor produtividade e com prazer.

 

Mas ele faz um alerta: sempre haverá adversidades, como a dificuldade para ter acesso a lugares, pela falta de vínculo com algum veículo de comunicação, a solidão ao se trabalhar e a forte concorrência. Questionado sobre o futuro do jornalismo declarou: “Esse não irá morrer, vai continuar sempre mudando.”

A vivência das grandes reportagens

Por Janderson Coimbra França

Aconteceu no Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) da Universidade Federal de Ouro Preto, no primeiro dia da Secom, a palestra aberta com o jornalista Felipe Lavignatti.

Felipe é graduado em Jornalismo pela faculdade paulistana Cásper Líbero e desde sua formação tem trabalhado em veículos de grande divulgação na imprensa brasileira como o Estadão.

Para exemplificar o tema da semana de comunicação, grandes reportagens, Felipe trouxe uma matéria em flash produzida por ele sobre o centenário da imigração japonesa no Brasil.

Segundo o jornalista, foram necessárias três semanas para a matéria ficar pronta, sendo duas semanas de apuração e uma para a produção em flash.

Há quase três anos fora da grande mídia, Felipe vem se dedicando à mídia eletrônica. Ele produz um site em que mapeia todas as formas de arte ao ar livre na cidade de São Paulo. Este site, que conta com aplicativo para I-phone, seleciona todas as obras de arte que nem sempre são percebidas pela população, como prédios, murais, grafites, entre outros.

Felipe afirma que não busca apenas passar a informação, mas complementar com a importância e a história da obra e suas características.

Felipe também tem muito interesse em história em quadrinhos, mas não atua profissionalmente na área; por enquanto é apenas um hobby.

Como está muito próximo ao jornalismo da web, perguntei qual a opinião dele a respeito do possível fim do jornalismo impresso.  Ele respondeu com sutileza e bastante foco que não fará diferença, já que os jornais não mudarão, contarão com o mesmo conteúdo, pessoal e colaboração, mas em outras mídias.

Questionado a respeito da credibilidade do webjornalismo, ele acredita que já haja credibilidade como os impressos, pois os grandes nomes da imprensa brasileira já estão na internet, seja no twitter, facebook ou mesmo em suas páginas oficiais.

Acredita que a amplitude da rede é muito útil ao Jornalismo, já que o tempo em que as coisas ocorrem é muito menor do que em qualquer outra mídia e também existe a possibilidade de um corrigir o outro.

 

Professores sugerem a busca de uma outra narrativa para o jornalismo

Texto: Eloíza Leal, Lucas Lima e Yasmini Gomes

Áudios: Fádia Calandrini e Rayanne Resende

Fotos: Lincon Zarbietti

“Outra Narrativa é possível” foi o tema da mesa desta quinta-feira, 21 de outubro, da Secom, que contou com a presença dos professores Vera França, da Universidade Federal de Minas Gerais, e de Fernando Resende, da Universidade Federal Fluminense. A partir do tema, eles enfatizaram a idéia de que o jornalismo deve ser entendido como uma narrativa, apesar de que nem todos os seus gêneros, como a fotografia, se pautem nesse princípio.

Vera França enfatizou três fases distintas da narrativa no jornalismo. No primeiro plano ela é vista da perspectiva do narrador; cabe a ele criar situações de conflito e unir os laços que vão construir a história dos sujeitos. Em uma segunda etapa, ela é marcada pelo compartilhamento da informação. Por fim, a narrativa é marcada pela tentativa de ter uma linguagem objetiva.

A professora comenta que em todos esses momentos tentar separar a narrativa do narrador é uma grande ilusão do jornalismo. “Narrar é dar sentido as coisas do mundo, estabelecer um andamento. Atrás da narrativa, com maior ou menor evidência, está o narrador”, afirma.

A respeito do enquadramento dos fatos, a professora disse que “narrar um acontecimento é estabelecer sentidos, juntar elementos e tecer uma história”. Ouça um pouco mais sobre isso:

Fernando Resende complementou afirmando que o jornalista deve dar vida aos acontecimentos, aos objetos dos quais falamos e aos sujeitos que nos referimos. Ressaltou ainda que a narração é sempre uma tentativa de se comunicar com o outro, assim o narrar jornalístico está ancorado em fatores sociais e históricos. Produzimos sentidos para que os outros nos entendam.

É nesse contexto que o jornalismo deve ser entendido como cultura. “O jornalista em um tempo tem um papel, em outro tempo possui outro, isso é cultura. Essa dinâmica que está em questão todo o tempo é o jogo cultural”.

Ao questionar se uma outra narrativa para o jornalismo é possível, Fernando Resende citou o filosofo Roland Barthes, “inúmeras são as narrativas do mundo”. O palestrante explicou que para experimentar outros modos na narração, o jornalismo precisa dialogar com a literatura, documentário, quadrinhos e novas mídias. Para ele, esses formatos diferenciados “dão parâmetros para as técnicas narrativas, fazem um cruzamento produtivo entre ficção e realidade e oferecem um deslocamento de formas, um reposicionamento de sujeitos”.

O professor fala mais sobre a diversidade de narrativas no jornalismo:

Fernando Resende exibe documentário realizado no México

Na discussão sobre as outras narrativas possíveis para o jornalismo, Fernando Resende apresentou o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”, realizado a quatro mãos com a jornalista Tatiana Carvalho. O curta mostra o cotidiano de pessoas que escrevem cartas para pessoas na praça da cidade do México, ocupação tradicional existente desde o século XIX.

O curta foi produzido em um período de cem horas durante a quarta edição do Festival Internacional de Documentário do Distrito Federal mexicano, realizado em 2009. O documentário foi o único vídeo brasileiro premiado no evento, recebendo uma menção especial do júri, pela sensibilidade e delicadeza ao tratar do tema.

Confira o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”: