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Inconfidentes faz exibição do documentário “Me respeita!”

Por Rayssa Amaral

O Festival Inconfidentes teve em sua programação a Mostra Ouro da Casa, onde foi exibido o documentário Me Respeita!, produzido pelos alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. O documentário surgiu da ideia de explorar a questão da homofobia, em decorrência de um episódio envolvendo comentários homofóbicos e sexistas na página do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas no Facebook em 2011. A mobilização dos alunos contra o preconceito trouxe o incentivo necessário para abordar o assunto.

Ricardo Maia e Matheus Maritan, realizadores do documentário, participaram da sessão. Segundo Ricardo, a equipe enfrentou alguns desafios da realização do projeto: “Tivemos muitas dificuldades com os equipamentos, prazo curto para a execução e para fazer a construção da linguagem. Não queríamos mostrar os homossexuais como vítimas, mas sim a realidade em que vivem”.

A exibição do documentário foi uma oportunidade de continuar divulgando o trabalho, que já teve mais de 3 mil visualizações no canal de vídeos YouTube.

Para Matheus, a ideia que pretendiam passar foi contemplada: “se uma pessoa mudar seu pensamento, sua percepção sobre esta questão, ficaremos satisfeitos”, disse, ressaltando a repercussão não só na comunidade acadêmica mas em âmbito nacional e internacional. “Em nome de toda a equipe estamos felizes de poder participar da 3° edição do Inconfidentes”.

Assista Me respeita!

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Homofobia é tema de documentário no Festival Inconfidentes

Por Israel Marinho

Dentro da programação do quarto e último dia do Festival Cine Inconfidentes, domingo, 7, foi exibido no Cine Vila Rica, em Ouro Preto, o documentário “Me Respeita!”, produzido por alunos do Curso de Jornalismo da UFOP para a Disciplina “Documentário”, ministrada pelo professor Adriano Medeiros no segundo semestre de 2011.

O documentário mostra relatos, depoimentos e imagens da campanha de conscientização organizada por alunos do ICSA (Instituto de Ciencias Sociais e Aplicadas) no segundo semestre de 2011, em decorrência de comentários homofóbicos postadas em uma rede social. Na época, diversos debates e assembleias foram organizadas pelos alunos.

Segundo um dos produtores do documentário, Mateus Meireles, aluno do sétimo período do curso, o tema já tinha sido escolhido para o documentário quando houve o incidente, que acabou contribuindo para o debate que a produção do filme queria promover. Segundo ele, a procura por fontes foi muito dificil, mas o trabalho valeu a pena: “Não são todos que estão dispostos a falar deste assunto, ainda é tabu para muitos”, conclui.

O pequeno público presente ao cinema aprovou o documentário e a iniciativa dos alunos. Para Júlio Carlos da Silva, 44, é importante que o tema seja mais discutido pela sociedade: “Tenho filhos e sei que um dia eles virão perguntar sobre o assunto. E sei que estarei mais preparado”, finaliza.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Professores sugerem a busca de uma outra narrativa para o jornalismo

Texto: Eloíza Leal, Lucas Lima e Yasmini Gomes

Áudios: Fádia Calandrini e Rayanne Resende

Fotos: Lincon Zarbietti

“Outra Narrativa é possível” foi o tema da mesa desta quinta-feira, 21 de outubro, da Secom, que contou com a presença dos professores Vera França, da Universidade Federal de Minas Gerais, e de Fernando Resende, da Universidade Federal Fluminense. A partir do tema, eles enfatizaram a idéia de que o jornalismo deve ser entendido como uma narrativa, apesar de que nem todos os seus gêneros, como a fotografia, se pautem nesse princípio.

Vera França enfatizou três fases distintas da narrativa no jornalismo. No primeiro plano ela é vista da perspectiva do narrador; cabe a ele criar situações de conflito e unir os laços que vão construir a história dos sujeitos. Em uma segunda etapa, ela é marcada pelo compartilhamento da informação. Por fim, a narrativa é marcada pela tentativa de ter uma linguagem objetiva.

A professora comenta que em todos esses momentos tentar separar a narrativa do narrador é uma grande ilusão do jornalismo. “Narrar é dar sentido as coisas do mundo, estabelecer um andamento. Atrás da narrativa, com maior ou menor evidência, está o narrador”, afirma.

A respeito do enquadramento dos fatos, a professora disse que “narrar um acontecimento é estabelecer sentidos, juntar elementos e tecer uma história”. Ouça um pouco mais sobre isso:

Fernando Resende complementou afirmando que o jornalista deve dar vida aos acontecimentos, aos objetos dos quais falamos e aos sujeitos que nos referimos. Ressaltou ainda que a narração é sempre uma tentativa de se comunicar com o outro, assim o narrar jornalístico está ancorado em fatores sociais e históricos. Produzimos sentidos para que os outros nos entendam.

É nesse contexto que o jornalismo deve ser entendido como cultura. “O jornalista em um tempo tem um papel, em outro tempo possui outro, isso é cultura. Essa dinâmica que está em questão todo o tempo é o jogo cultural”.

Ao questionar se uma outra narrativa para o jornalismo é possível, Fernando Resende citou o filosofo Roland Barthes, “inúmeras são as narrativas do mundo”. O palestrante explicou que para experimentar outros modos na narração, o jornalismo precisa dialogar com a literatura, documentário, quadrinhos e novas mídias. Para ele, esses formatos diferenciados “dão parâmetros para as técnicas narrativas, fazem um cruzamento produtivo entre ficção e realidade e oferecem um deslocamento de formas, um reposicionamento de sujeitos”.

O professor fala mais sobre a diversidade de narrativas no jornalismo:

Fernando Resende exibe documentário realizado no México

Na discussão sobre as outras narrativas possíveis para o jornalismo, Fernando Resende apresentou o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”, realizado a quatro mãos com a jornalista Tatiana Carvalho. O curta mostra o cotidiano de pessoas que escrevem cartas para pessoas na praça da cidade do México, ocupação tradicional existente desde o século XIX.

O curta foi produzido em um período de cem horas durante a quarta edição do Festival Internacional de Documentário do Distrito Federal mexicano, realizado em 2009. O documentário foi o único vídeo brasileiro premiado no evento, recebendo uma menção especial do júri, pela sensibilidade e delicadeza ao tratar do tema.

Confira o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”: