Arquivo da tag: Cinema

Ganhar ou perder, mas sempre com democracia

Por Caio César de Souza Gomes 

Imagem: Wikimedia Commons.

O ano é 1984 e o craque Sócrates conclui sua transferência para o Fiorentina, da Itália. Era o fim de uma era que marcaria pra sempre seu nome na história do futebol e também da política Brasileira. O craque, um dos idealizadores do projeto da Democracia Corinthiana prometera ficar no Brasil caso fossem reinstauradas as eleições diretas para presidente do país, fato este que não se consumou. Esta é a história contada pela curta “Ser Campeão é Detalhe – A Democracia Corinthiana”, exibido no 3º Cine Festival Inconfidentes.

O público presente no Teatro SESI não era lá uma multidão em dia de jogo no estádio do Pacaembu, mas o encanto com as jogadas dos craques Sócrates, Zenon, Casagrande que iam aparecendo, umas atrás das outras, provocavam suspiros e risos. Mas o curta, no fundo de sua construção, passava, na verdade, o período ainda conturbado da política Brasileira. E de como aquele time, construído no início de 1981, tentava de alguma maneira defender o cidadão Brasileiro que ainda sofria com a Ditadura Militar. O futebol é um exercício de liberdade, dentro e fora de campo. E a Democracia Corinthiana é a expressão mais viva disso.

Isadora Moreira, estudante da UFOP, surpreendida com o viés político do curta diz que “o documentário foi além da dimensão esportiva ao mostrar o engajamento dos jogadores durante o político ditadorial”, e complementa: “a democracia corinthiana é mais do que um trabalho audiovisual com foco esportivo”. Já Guilherme Braga, também estudante, não deixou de comparecer ao Teatro com sua camisa do Corinthians e de demonstrar seu orgulho e paixão: “o documentário veio pra demonstrar o quanto o Corinthians atinge esferas além do futebol brasileiro. É uma ótima chance de entender o quanto aquele time tentou e conseguiu ajudar no processo de reabertura política do Brasil”.

A ajuda do software livre na evolução do cinema

Por Jéssica Moutinho

A noite do sábado, 06, foi marcada pela participação de Virgílio Vasconcelos, professor da UFMG, na programação do 3º Cine Festival Inconfidentes. Ele esteve no SESI-Mariana para falar sobre Cinema de Animação e Software Livre. Primeiramente, trouxe um breve histórico sobre a evolução do cinema até os dias atuais, ressaltando que o cinema de animação teve origem em 1892, sendo mais antigo que o cinema normal, que surge em 1895. Também falou do praxinoscópio, aparelho inventado por Émile Reynaud que com a ajuda de um espelho projetava em uma tela maior, imagens que foram desenhadas e coloridas em fitas transparentes.

Até a década de 50 os desenhos eram feitos em folhas de celulóide, já na década de 70, passaram a serem feitos em computadores, até então usado somente para fazer coisas repetitivas. Um segundo de animação equivale a 24 desenhos, sendo o efeito obtido pela sucessão de imagens.

LIVRE – Dizer que um software é livre, não significa dizer que ele é gratuito. A palavra “livre” é atribuída aos programas que podem ser utilizados, compartilhados e modificados para haver melhorias, lembra Virgílio, citando o sistema Android e o navegador Firefox como exemplos. Além deles, programas gratuitos como o Gimp (editor de fotos), Lightworks (editor de vídeo) e o Blender (editor de imagens em 3D) são especialmente importantes na produção cinematográfica: “O Blender é gratuito justamente para ser usado por muitas pessoas, e até em filmes, testando até onde o programa consegue chegar e também para ver o que precisa ser melhorado, atualizado ou até mesmo mudado no programa” ressalta o professor, e conclui que: “Hoje conseguimos com poucos recursos produzir cinema, e sem as restrições que tínhamos a 20 anos atrás”.

Virgílio Vasconcelos atua na UFMG na área de Cinema de animação e artes digitais e é autor do livro Blender 2.5 Character Animation Cookbook, que traz em 50 tutoriais de como usar esse programa. Veja alguns trabalhos do professor em seu site.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Livro “Luz, Câmera, Ação!” lançado no Festival Inconfidentes

Obra de Cláudio Costa Val reúne algumas de suas crônicas

Por Fernanda Belo

Cláudio Costa Val é roteirista, diretor de cinema e teatro e professor da Escola Livre de Cinema. Há 10 anos dá aulas de roteiro e diz que o cinema, a literatura e a música dialogam entre si, pois são dependentes umas das outras e podem se complementar.

Seu livro “Luz, câmera, ação”, lançado na primeira noite do Festival Inconfidentes, no Teatro do Sesi, em Mariana, noite engloba crônicas relacionadas à área de atuação do autor: a audiovisual. Durante o lançamento muito foi falado sobre a produção de curtas, longas e seus roteiros.

Para Cláudio Costa, a crônica e o curta metragem são produtos com menos apelo do que um longa e um romance. Com bom humor e de forma descontraída, revelou que está há quatro anos produzindo o roteiro de um longa metragem e ainda não conseguiu terminá-lo.

No debate, perguntado sobre o processo de escrita, o cineasta contou que essa é uma pergunta constante e, citando Nietzsche, disse que é preciso esforço para conceber algo, um certo sacrifício para a produção da escrita e que se deve criar uma certa rotina, promovendo um casamento entre disciplina, criatividade e necessidade de escrever.

Segundo Cláudio Costa Val, tudo é passível de se tornar roteiro, a diferença está no relato, na maneira de contar a história e na sua estrutura: “as histórias mais legais, costumam ser as mais simples”, afirma.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Crônica, cinema e conversa no lançamento do livro de Cláudio Costa Val

Por Bianca Cobra

O Teatro SESI, em Mariana, foi palco do lançamento do livro “Luz, câmera, ação – Crônicas a 24 quadros por segundo”, de Cláudio Costa Val, diretor de cinema, redator, roteirista, professor na Escola Livre de Cinema. Na noite de abertura do Cine Festival Inconfidentes, 4/10, o autor conduziu uma conversa que envolveu os presentes. Em sua fala, o depoimento de um fascinado pela crônica, pelo fato dela tratar do momento presente, classificada por Val como uma forma de escrita mais libertária. Para ele, o cinema é um modo de dialogar com o mundo e traz relação com a crônica, pois ambos contam com um viés observador e crítico. Gerliane Mendes, 23, e César Raydan, 21, estudantes de Jornalismo da UFOP, admiradores de uma boa crônica, gostaram do lançamento do livro e da discussão sobre cinema e literatura. Ambos não conheciam o autor, mas ficaram satisfeitos com o diálogo: “ele esclareceu o universo da crônica, do curta e do longa metragem expondo os desafios e as soluções para estas formas de cultura que contam ainda com tão pouco incentivo”, disse César Raydan. Cláudio Costa Val elogiou o Cine Festival Inconfidentes apontando esse tipo de evento como necessário para a cultura local.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Cortejo Cultural anuncia início do Cine Festival Inconfidentes

Por Bianca Cobra

Foto: Paula Peçanha

O CRIA, Centro de Referência da Infância e da Adolescência de Mariana, animou no final da tarde desta quinta, 04, o cortejo cultural que anunciou o Cine Festival Inconfidentes. Com saída da Ponte de Areia, seguindo até a Praça Gomes Freire, o cortejo teve a animada participação do Grupo Percussão, atraindo a atenção de várias pessoas durante o trajeto. O Grupo existe há sete anos e é composto por jovens de 11 a 17 anos. Entre eles, Paulo Henrique, 15, e Bruno Henrique, 17, integrantes do grupo há dois anos e meio. Ambos mostraram grande intimidade com os instrumentos e disseram que integrar o Percussão traz alegria e os ensaios são ótimos para “desestressar”. Josiane, 24 anos, assistiu ao cortejo da porta da loja onde trabalha e ficou admirada com tamanho entusiasmo e movimentação da bateria. Quando perguntada sobre o evento, disse que não tinha conhecimento do Festival e achava importante a divulgação.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

A relação entre Cinema e Orientação Sexual

Evento retrata as diversas maneiras como Hollywood tem utilizado o gênero ao longo dos anos.

A palestra Cinema e Gênero, apresentada pelo professor Carlos Alberto, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fez parte da programação no terceiro e último dia da 3ª Semana de Estudos em Comunicação Social-Jornalismo (SECOM 2011).

O foco da palestra era a maneira como a indústria cinematográfica tem abordado a questão da orientação sexual ao longo do tempo, utilizando a temática para levantar uma discussão com os participantes. Através de filmes como “Filadélfia”, “Quanto Mais Quente Melhor”, “Transamérica”, “Kinsey – Vamos Falar de Sexo” e “XXY”, dentre muitos outros, o professor introduziu o tema e retratou a maneira como ele tem sido utilizado.

“A história do cinema é marcada por filmes motivados por temas de homossexualidade”, disse o professor. A palestra falou de diversos fatores e questões ligada a orientação sexual, como a “fuga para o gueto”, as “identidades” assumidas pelo indivíduo e o suposto “gene homossexual”, proporcionando um ambiente de discussão próprio para a interação entre o grupo de participantes, configurando-se em um ambiente de aprendizado diversificado.

Texto: Gabriel Koritzky

Cinema e as relações de gênero

Na tarde dessa sexta-feira, último dia da SECOM, o professor Carlos Alberto de Carvalho ministrou a palestra sobre Cinema e gênero. Foram abordados temas como a homofobia e transsexuais.

Para Carvalho, os filmes auxiliam a sociedade a entender essas relações. Ele citou o filme Tudo sobre minha mãe, do cineasta Pedro Almodóvar, que apresenta uma construção narrativamente forte, permitindo entender as hierarquias das relações.

O professor explicou que as relações de gênero são construções sociais, e que é necessária uma discussão sobre o tema, para romper as divisões da mesma. Apresentou como exemplo a mídia jornalística, que trata a questão dos travestis sempre associados a violência, é raro aparecer fora desse estereótipo. Ele enxerga isso como um problema, porque assim reduz a questão do gênero simplesmente ao sexo, como era visto antigamente. Hoje se fala em relações de gênero, já que introduziu-se diversos elementos, como política.

Para Carlos Alberto, um leigo em cinema não precisa necessariamente saber sobre os gêneros que compõe um produção cinematográfica. Já para um indivíduo que se inicia na vida acadêmica é importante entender essas concepções. Em relação às caricaturas que aparecem nas mídias ele diz que é desejável que elas desapareçam, não no sentindo de serem retiradas da mídia e sim incorporar outros gêneros, sem que seja preciso dos aspectos caricaturais para facilitar o entendimento dessas relações.

Texto: Patrícia Botaro

O olhar da mídia sobre a homossexualidade

Por Caroline Gomes

Novelas e filmes exibem o olhar da mídia quando a questão é homossexualidade

Um tema bem polêmico deu início à mini-palestra “Cinema e Gênero”, que aconteceu nesta tarde, dia 27, ministrada pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Alberto Carvalho. A homossexualidade foi a questão que culminou o desenvolvimento de uma conversa descontraída na qual Carlos Alberto exemplificou com filmes e tele-novelas como a mídia exibe os homossexuais.

Inicialmente, o vídeo “A drag a gozar” passou toda a idéia central da palestra. De uma forma animada, mostrou os vários estereótipos que são fundados no preconceito. A partir de filmes e tele-novelas a mídia expõe os homossexuais e para fazer isso utiliza de caricaturas. “O Zacarias em os trapalhões representava a ‘bichinha louca’. Ele era o ‘veadinho’. E a todo momento os outros trapalhões faziam piadas com isso”, disse Carlos Alberto.

A aluna do segundo período de Jornalismo, Gisela Cardoso, 18 anos, ficou atenta durante toda a palestra. “Eu achei muito interessante debater sobre a homossexualidade escandalizada pela mídia, pois é um tema atual e vem causando um conflito de opiniões”.

Carlos Alberto encerra dizendo que o seu objetivo era mostrar que há teorias e metodologias que permitem observar as relações de gênero, sendo estas construções sociais.

Dos Charutos ao Cinema

Cinema em Cuba foi um dos temas no segundo dia da Semana de Comunicação. O palestrante, Edgard Leite de Oliveira, graduado em história e professor no curso de Economia da UFOP, ressalta que apesar de não ser um especialista em cinema, se julga um curioso sobre assuntos relacionados à sétima arte.

Partindo de um panoroma histórico, o palestrante fez considerações a fim de que a História do Cinema em Cuba pudesse ser melhor compreendida. Baseado na crítica ao regime e em debates sobre o subdesenvolvimento “o cinema cubano atual foi atingido por uma onda denominada Nuevo Cine Latinoamericano”, diz.

O cinema me absolverá

Ao relatar sua experiência em Cuba, Edgard vê que o problema que a população tem com acesso a tecnologias é compensado pela criatividade, aguçada, usada para poderem sobreviver à escassez de materiais tecnológicos. Os filmes cubanos, também proporcionam entretenimento e cultura à sociedade e, dessa forma, acabam por absolverem o regime político imposto pelo líder Fidel Castro.

No áudio, Edgard comenta sobre a peculiaridade da questão estética dos filmes cubanos.

Edgard Leite A27 10 11 11 by CoberturasUfop

 Texto e Áudio: Flávio Ernani

Técnicas da Linguagem Cinematográfica

O roteirista Júlio Pessoa ministrou na quarta-feira a palestra Linguagem Cinematográfica-Direção, que ele definiu como “recursos expressivos inerentes”. Com a sala cheia, em sua primeira experiência como palestrante, Pessoa conseguiu prender a atenção dos participantes. Ele disse que procurou construir um raciocínio com conteúdos sólidos. O roteirista falou sobre o nascimento do cinema como perspectiva herdada da fotografia e mostrou trabalhos de fotógrafos, como Sebastião Salgado e Henri Cartier-Bresson. Explicou, ainda, que o figurino e a música fazem parte da linguagem cinematográfica e trabalhou questões técnicas como planos e enquadramento, mostrando exemplos de cada um.

A mini palestra contou também com exibições de alguns vídeos como o dos irmãos Lumière, “Chegada de um trem na estação”, que marcou o surgimento do cinema e “O Batedor de carteira”, do francês Robert Bresson. Pessoa, ao final da mini palestra, abriu um espaço para questionamentos, tirando algumas dúvidas de quem estava presente.

Para o aluno Nivaldo Damasceno, do 1º período de Jornalismo, a palestra foi muito interessante, por te aprendido o funcionamento do processo de gravação dos filmes e de que forma os planos influenciam na emoção dos espectares.

Texto: Patrícia Botaro

Histórico revolucionário em Cuba e o surgimento do cinema no país

A mini palestra Cinema em Cuba, nessa quinta-feira, abordou temas como a revolução e as características interessantes que ela trouxe para o cinema cubano. Edgar Oliveira fez um breve histórico sobre a política do país e mostrou ainda alguns vídeos relacionados ao cinema. Como o da pesquisadora brasileira Mariana Villaça, em que ela diz que as produções cinematográficas foram um dos principais investimentos de Cuba após a revolução. Eram feitos pequenos curtas para explicar a população as modificações que estavam sendo feitas no país naquele momento.

Oliveira explicou que do ponto de vista estético o cubano é diferente, do mesmo modo, o cineasta tem uma visão peculiar nas suas produções. Ele ressaltou que, apesar do momento revolucionário, existia filmes que questionavam o novo governo cubano. O palestrante indicou alguns filmes como Lúcia, que aborda os períodos históricos do país. Cidade em Vermelho fala sobre a violência, outra característica da sociedade cubana. Memórias do Subdesenvolvimento, que faz uma crítica ao modelo socialista de Cuba e expõe as dificuldades de se fazer cinema no país.

A aluna Ester Louback, do 3º período de Jornalismo, comenta sobre o resultado da palestra: “Gostei muito da oficina. É legal ter uma ideia de alguém como o Edgar que já esteve em Cuba como turista e estudante. Cuba tem uma sociedade muito humanizada, com trabalhos voluntários. Sua população não vive somente em um mundo politizado, como nós que somos de fora pensamos”.

Edgar Leite de Oliveira é formado em História pela UNIBH, especializado em História Econômica da América Latina na Universidade de Havana e fez Mestrado em Política, trabalho e formação humana pela UFMG. Atualmente trabalha como professor de História da Economia e Economia Brasileira na Universidade Federal de Ouro Preto.

Texto: Patrícia Botaro