Ciclo de Jornalismo: compartilhando dificuldades e indicando caminhos

por Ana Elisa Siqueira, Bárbara Andrade, Daiane Aparecida, Nathália Viegas

Instaurado no ano de 2008, o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto teve a sua grade curricular alterada várias vezes, procurando um aperfeiçoamento. “Esse processo já é antigo, já existe uma demanda desde o início do curso de revisão dessa grade. E ela já foi revisada em alguns pontos. É uma revisão que sempre atendeu duas questões iniciais: você tinha algumas demandas imediatas a ser atendidas e você tinha uma concepção do curso que foi sendo ajustada. Mas a gente nunca fez uma mexida drástica, grande, profunda, porque a gente não tinha um corpo docente formado ainda.” afirma Ricardo Augusto Orlando, presidente do Colegiado. Como o curso de Jornalismo é relativamente novo na UFOP, há, desde o início, um processo de auto-avaliação a cada período. Neste semestre, essa auto-avaliação aconteceu através do Primeiro Ciclo de Estudos em Jornalismo, que ocorreu nos dias 28 e 29 de novembro de 2012.

O evento reuniu nesses dois dias, palestras e mini-cursos com o objetivo de discutir, e, segundo Ricardo Augusto, refletir sobre o trabalho dos professores e alunos, visando a um processo de qualificação do curso. “A gente discute as nossas práticas e retorna pro curso pra tentar melhorá-las. É óbvio que a gente tem problemas dos mais diversos tipos que interferem nesse processo qualitativo, mas não significa que a gente não tenha ganho. Tem muito ganho. Uma coisa que foi legal ver foi a avaliação dos outros convidados a cerca da nossa prática de transdisciplinaridade e interdisciplinaridade.”.

Além dessas discussões, o Ciclo trouxe as palestras Jornalismo, Tecnologias Digitais e Memória: tendências e perspectivas, com professor Marcos Palacios, da UFBA, e Metodologias de pesquisa em jornalismo: limitações e perspectivas, com professor Elias Machado, da UFSC. O presidente do Colegiado avaliou positivamente os resultados das palestras. Segundo ele, é imprescindível que se discuta pesquisa: “esse casamento entre a pesquisa e a graduação é fundamental para a gente ter um curso atual, dinâmico e de qualidade, porque o conhecimento de qualidade você gera na pesquisa.” Nesse contexto, a UFOP possui um corpo docente formado por sete professores da área de audiovisual e design, que representam 40% do corpo docente que tem alguma relação com a imagem. “Nós temos um corpo docente grande nessa área, então efetivamente é um talento do curso. É uma possibilidade produzir conhecimento nessa área. Essa é uma área que tem que ter investimento. A gente tem muitos professores, desde audiovisual até a comunicação impressa, que é o que eu tenho me detido mais: design jornalístico. A gente tem muita coisa pra desenvolver nesse aspecto e dar uma cara para o curso da UFOP. “

O professor Ricardo Augusto acredita que com praticamente todo o corpo docente formado, o curso de jornalismo da UFOP está no caminho certo, precisando apenas de pequenos ajustes. Isso ficou claro com a realização do Intercom Sudeste deste ano, organizado pela UFOP, demonstrando o crescimento do nosso curso ao longo desses quatro anos. Para ele o mais evidente durante o evento foi a qualidade do nosso corpo docente e discente, sendo notável que apenas a estrutura não faz um curso, mas sim o material humano.

Ciclo de Estudos em Jornalismo: aliando teoria e prática

por Amanda Sereno, Ana Clara Oliveira e Brunello Amorim

Logo pela manhã, as pessoas acordam, ligam seus computadores, acessam a internet e se deparam com diversas manchetes que se renovam a cada minuto. Esse é o jornalismo do século XXI. Jornalistas atrás de fatos e leitores atrás de notícias, mas agora tudo mais rápido, dinâmico e instantâneo. Essa nova realidade da profissão foi um dos principais temas do Ciclo de Estudos em Jornalismo do ICSA, que aconteceu nos dias 28 e 29 de novembro. “Uma abordagem que achei muito interessante é a questão que ele fala da participação de um descentralização do controle sobre a produção. Aquele que faz é aquele que consome, o usuário é totalmente ativo.”, disse Ubiratan Vieira, professor do curso de Jornalismo da UFOP, sobre a palestra “Jornalismo, Tecnologias Digitais e Memória: tendências e perspectivas”, ministrada pelo doutor em Sociologia Marcos Palacios.

Os debates, minicursos e palestras do evento tiveram como objetivo proporcionar reflexões sobre o ensino do Jornalismo no Brasil e, principalmente, na UFOP a partir da modificação do contexto de produção, circulação e consumo. Os estudos do Ciclo contribuíram com a questão de um dos grandes desafios da área da comunicação: aliar a teoria à prática. Segundo o professor Ubiratan, a teoria independe da prática, porém ele acredita que as duas vertentes também podem funcionar juntas. “Eu acho que a prática jornalística constrói uma certa cumplicidade com as coisas, uma certa desconfiança com as fontes, na medida em que se desenvolve a apuração das informações. São elementos da prática jornalística que poderiam muito bem ser utilizadas na pesquisa.”

O curso de Jornalismo da UFOP é recente, ou seja, está inserido desde o início nesse cenário comunicacional dinâmico. Por isso, o curso é flexível e busca formas de interação entre as matérias. É o caso de Ubiratan, graduado em Ciências Sociais e professor no curso de Comunicação Social, que tenta aliar sua disciplina com a área da comunicação. “Eu tenho um interesse muito grande que não depende só de mim para realizá-lo, eu teria que conversar com os colegas do curso, porque estou entrando na área de Jornalismo agora. Mas eu acho que tem que se pensar o que a prática jornalística tem de importante para a pesquisa.” Iniciativas como a do professor, possibilitam que os alunos saiam da UFOP formados com uma visão ampla dos conceitos e práticas do processo da comunicação.

As tendências do Jornalismo atual: o Ciclo de Estudos em Jornalismo da UFOP.

Por: Débora Oliveira, Júlia Pinheiro e Laís Diniz.

Atualmente uma das discussões em torno da formação em Jornalismo aponta para o cenário da convergência. Segundo o professor Frederico Tavares, da UFOP, podemos dizer que as tendências mais promissoras para o Jornalismo são as mudanças tecnológicas e a questão da convergência, sendo esta a maneira de lidar com a questão do conteúdo que reflete na formação do profissional. Tais tendências foram abordadas no Ciclo de Estudos em Jornalismo, realizado pela própria universidade em novembro de 2012; cujo os objetivos era produzir uma reflexão sobre o ensino de jornalismo no Brasil nos dias atuais, proporcionar um momento de formação aprofundada para o corpo docente e promover o encontro com pesquisadores, com produção reconhecida.

Um dos eixos de trabalho do Ciclo apontava para a formação e a questão da obrigatoriedade do diploma. O professor Frederico afirmou que: ” a não obrigatoriedade do diploma tem dois problemas. O primeiro se trata de como o problema se desenrolou em decisões e justificativas em âmbitos judiciários. O segundo é a crítica em relação à própria questão de exercer a profissão.” O ensino jornalístico no Brasil possui uma tradição de matrizes curriculares de pesquisas, assim se destacando em relação a outros lugares. Este soube se desenvolver de acordo com o contexto nacional, apesar das nossas influências serem estrangeiras. Outro tema discutido foi a integração de práticas laboratoriais, que tem sido uma área de investimento recente da universidade.

O jornalismo ainda precisa melhorar muito do ponto de vista das questões sociais, da desigualdade e pautas que envolvem a minoria. “Deste ponto de vista, a gente pode quase que brincar que o jornalismo reflete muita coisa da sociedade, meio que fazendo um espelho dela”, disse o professor. O ensino de jornalismo no Brasil conseguiu em certa medida se contextualizar em relação a certas demandas brasileiras.

Versatilidade, a marca do novo jornalismo

Por Bruno Arita, Charles Santos e Sarah Gonçalves

Mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pelo CPDOC, Verônica Soares da Costa, 26 anos, é professora do curso de jornalismo e compõe a assessoria de comunicação institucional na UFOP. Questionada sobre o novo perfil do profissional do jornalismo, a professora ressalta a importância da especialização do comunicador em diversas áreas como economia, política, eventos culturais, história.

De acordo com a professora, o conhecimento histórico é inerente ao meio jornalístico. Com isso a produção da notícia adquire mais qualidade e credibilidade pois o profissional se fundamenta  no seu capital cultural. Unido a isso e baseada em seu mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais, Verônica afirma: “É uma formação da qual os jornalistas devem se preocupar em aprofundar-se pois um bom jornalismo é feito com contextos históricos e entender da história do próprio país e das situações que já vivemos no mundo é um valor de conhecimento que o jornalista possui e também aplica a todo momento enquanto ele está produzindo algo”.

A jovem professora faz parte dos novos profissionais que a UFOP está contratando para agregar novos valores como ela mesmo cita: “Uma vantagem que eu vejo aqui no curso da UFOP é que, por ser novo, existe uma energia positiva que chega de novos professores,  gente que chega com muitas ideias e que encontram um espaço propício para desenvolver projetos que talvez em outros lugares não sejam tão fáceis de serem desenvolvidos. Isso traz pro curso um perfil diferente, bastante inovador e de experimentação de coisas novas”.

Para Verônica, o curso de comunicação da UFOP vem mostrando ao longo de seus 4 anos de existência uma pluralidade nos campos de atuação e no compartilhamento de saberes. O Ciclo de Estudos foi idealizado com foco na troca de experiências com pessoas da área que estão no mercado a mais tempo.

“Principalmente pelo curso ser jovem, acho louvável a iniciativa de trocar ideias com pessoas que já estão a mais tempo no mercado e, por isso, possuírem mais experiência. Por isso, só vejo pontos positivos e espero que haja outros ciclos em breve pra trazer mais gente e agregar mais pessoas nesse diálogo.”

Longa de Helvécio Ratton discute comunidades e meios de comunicação

Por Gabriela Ribeiro da Costa

A exibição do longa-metragem “Uma onda no ar” fez parte das homenagens ao cineasta mineiro Helvécio Ratton no Festival de Cinema Inconfidentes, encerrando a programação de sábado (06) no SESI Mariana. O filme é inspirado na história da Rádio Favela FM, de Belo Horizonte, e mostra a importância da comunidade se apropriar dos veículos de comunicação para o seu desenvolvimento.

Para o professor de telejornalismo da UFOP Adriano Medeiros, organizador do evento, a exibição do longa foi uma aposta para um processo de aproximação do público: “É um facilitador, um certo espelhamento como acontece, por exemplo, no telejornalismo: eu vejo um primo em um telejornal e vou querer assistir mais aquela reportagem por que aquilo de certa forma nos liga”, explica.

“Uma onda no ar” foi escolhido também por estar relacionado ao curso de jornalismo. Adriano fala que já até mesmo usou o longa em sala de aula, principalmente por trazer a possibilidade de discussão do uso dos meios de comunicação pela comunidade como um modo de desenvolvimento da própria comunicação, da arte, da cultura e de questões sociais e políticas, conforme é retratado no filme.

O longa conta a história de quatro jovens amigos que vivem em uma favela de Belo Horizonte e têm o sonho de criar uma rádio que seja a voz do local onde vivem, no entanto, obstáculos como o tráfico e até mesmo a morte impedem alguns deles de alcançarem esse objetivo. Quando a Rádio Favela é finalmente criada, mesmo ilegalmente, conquista a todos os moradores por sua programação incomum. O sucesso da rádio comunitária repercute fora da favela, trazendo também inimigos para o grupo, que acaba enfrentando a repressão policial para o fechamento da rádio.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Diretor de “Batismo de Sangue” participa de conversa no Festival Inconfidentes

Por Livia Ciccarini

A exibição do longa “Batismo de Sangue”, durante o Cine Festival Inconfidentes, contou com a presença do diretor e roteirista do longa, Helvécio Ratton, fechando a programação da sexta-feira, 5, segundo dia de evento. Após a sessão, a platéia teve a oportunidade de conversar com o diretor, que subiu ao palco para contar sua experiência durante as gravações do filme que fala sobre o período da Ditadura Militar no Brasil sob o ponto de vista dos torturados, um deles, Frei Betto, autor do livro utilizado como obra-base para a criação do filme.

Ratton, homenageado do Festival, respondeu perguntas da platéia e na presença de professores e alunos da Universidade Federal de Ouro Preto, abordou assuntos relacionados a produção de seus longas e a perda de arquivos relacionados a ditadura.

Para Anderson Mederios, 28, professor de jornalismo na UFOP e diretor de produção do Inconfidentes, conversar com Ratton foi uma possibilidade de abrir os olhos e desmistificar suas opiniões sobre o filme “Batismo de Sangue”: “Achei uma oportunidade interessante conversar com quem está no mercado produzindo. Eu, que ainda não havia assistido ao filme e trabalho com comunicação e cinema, aprendi muito”, afirma.

A conversa que durou cerca de uma hora e meia e também foi avaliada como proveitosa pela estudante de Jornalismo da UFOP Isadora Lira, 19: “Além de ter contato com o universo do cinema, foi uma grande oportunidade de conhecer mais sobre uma parte triste da história do nosso país”, explicou.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Coral marianense Tom Maior anima o Festival

Por Éllen Rosa

Coral Tom Maior. Foto: Éllen Rosa.

A exposição Pulsando Quimeras, textualizando Helvécio Ratton, lançada no segundo dia do Cine Festival Inconfidentes, sexta, 05, segue até o dia 21 na Galeria do Sesi, podendo ser visitada  das 9h às 19h. Ratton foi o cineasta homenageado desse ano no Festival.

Antes do lançamento da exposição o Coral Tom Maior, do Conservatório de Música Mestre Vicente Ângelo das Mercês, se apresentou no espaço. O coral é formado por adolescentes e jovens de Mariana, regido por Adeuzi Batista Filho. A apresentação foi muita animada e contagiou o público com as músicas.

O grupo sempre se apresenta em ocasiões festivas e culturais de Mariana e região. Também já participou de apresentações com corais internacionais. Karla Mendes de Morais, 19 e Vilmara de Assis, 17 são integrantes há 5 anos do grupo e ficaram felizes por abrir a exposição: “é muito bom participar de qualquer evento. Assim, públicos diferentes conhecem o coral”, afirmou Karla.

Bruna Viana que estava no teatro já assistiu outras apresentações do grupo: “é sempre muito bonita, tem músicas emocionantes, parece que estão cantando pra gente’’.

Helvécio Ratton homenageado com exposição no SESI Mariana-MG

A abertura contou a a presença do próprio diretor que esteve na cidade para o Cine Festival Inconfidentes 

Por Livia Ciccarini

Homenageado pelo Cine Festival Inconfidentes, o diretor mineiro Helvécio Ratton conferiu pessoalmente a abertura da exposição sobre suas produções cinematográficas que aconteceu antes da exibição do longa “Batismo de Sangue”, na sexta-feira, dia 5 de outubro. Além do diretor, os professores do curso de Jornalismo da UFOP Juçara Brittes e Adriano Medeiros participaram do evento.

Junto com o público, Ratton olhou atentamente fotografias e documentos de seus filmes. Objetos de diversas produções também foram cedidos pela produção dos longas para serem exibidos em Mariana, mostrando aspectos da realização de longas como “O Menino Maluquinho”, “Batismo de Sangue” e “Uma Onda no Ar”, todos exibidos no festival de cinema.

O historiador e mestrando Dalton Sanches, 33, conferiu a exposição ao lado do diretor e disse ter tido uma experiência proveitosa e agradável: “Não é sempre que temos a oportunidade de ver uma exposição ao lado do próprio homenageado. Ainda mais do Helvécio, que está inserido no circuito internacional de cinema. Além disso, a exposição retrata momentos importantes da história brasileira contada nos longas do diretor”, contou.

O professor Anderson Medeiros, 33, diretor de produção do Cine Festival Inconfidentes, vinculado ao curso de Jornalismo da UFOP, acredita que o evento é mais uma forma de desenvolver os laços com a população de Mariana, pela presença do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas na cidade: “É importante retribuir aquilo que a sociedade nos confiou com a construção do ICSA na cidade, em especial pelo fato do curso de Jornalismo estar aqui”, completou.

Após conferir a exposição Ratton assistiu com o público presente o longa “Batismo de Sangue”, participando, a seguir, de um debate. O Cine Festival Inconfidentes contou com a exibição de curtas e longas, palestras e oficinas, realizadas de 4 a 7 de outubro, no SESI Mariana-MG e no ICSA. O projeto é uma realização da UFOP e a apoiadores da cidade. Já a exposição sobre o trabalho de Ratton pode ser conferida até o dia 21 de outubro.

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Ganhar ou perder, mas sempre com democracia

Por Caio César de Souza Gomes 

Imagem: Wikimedia Commons.

O ano é 1984 e o craque Sócrates conclui sua transferência para o Fiorentina, da Itália. Era o fim de uma era que marcaria pra sempre seu nome na história do futebol e também da política Brasileira. O craque, um dos idealizadores do projeto da Democracia Corinthiana prometera ficar no Brasil caso fossem reinstauradas as eleições diretas para presidente do país, fato este que não se consumou. Esta é a história contada pela curta “Ser Campeão é Detalhe – A Democracia Corinthiana”, exibido no 3º Cine Festival Inconfidentes.

O público presente no Teatro SESI não era lá uma multidão em dia de jogo no estádio do Pacaembu, mas o encanto com as jogadas dos craques Sócrates, Zenon, Casagrande que iam aparecendo, umas atrás das outras, provocavam suspiros e risos. Mas o curta, no fundo de sua construção, passava, na verdade, o período ainda conturbado da política Brasileira. E de como aquele time, construído no início de 1981, tentava de alguma maneira defender o cidadão Brasileiro que ainda sofria com a Ditadura Militar. O futebol é um exercício de liberdade, dentro e fora de campo. E a Democracia Corinthiana é a expressão mais viva disso.

Isadora Moreira, estudante da UFOP, surpreendida com o viés político do curta diz que “o documentário foi além da dimensão esportiva ao mostrar o engajamento dos jogadores durante o político ditadorial”, e complementa: “a democracia corinthiana é mais do que um trabalho audiovisual com foco esportivo”. Já Guilherme Braga, também estudante, não deixou de comparecer ao Teatro com sua camisa do Corinthians e de demonstrar seu orgulho e paixão: “o documentário veio pra demonstrar o quanto o Corinthians atinge esferas além do futebol brasileiro. É uma ótima chance de entender o quanto aquele time tentou e conseguiu ajudar no processo de reabertura política do Brasil”.

Inconfidentes faz exibição do documentário “Me respeita!”

Por Rayssa Amaral

O Festival Inconfidentes teve em sua programação a Mostra Ouro da Casa, onde foi exibido o documentário Me Respeita!, produzido pelos alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. O documentário surgiu da ideia de explorar a questão da homofobia, em decorrência de um episódio envolvendo comentários homofóbicos e sexistas na página do Instituto de Ciências Sociais e Aplicadas no Facebook em 2011. A mobilização dos alunos contra o preconceito trouxe o incentivo necessário para abordar o assunto.

Ricardo Maia e Matheus Maritan, realizadores do documentário, participaram da sessão. Segundo Ricardo, a equipe enfrentou alguns desafios da realização do projeto: “Tivemos muitas dificuldades com os equipamentos, prazo curto para a execução e para fazer a construção da linguagem. Não queríamos mostrar os homossexuais como vítimas, mas sim a realidade em que vivem”.

A exibição do documentário foi uma oportunidade de continuar divulgando o trabalho, que já teve mais de 3 mil visualizações no canal de vídeos YouTube.

Para Matheus, a ideia que pretendiam passar foi contemplada: “se uma pessoa mudar seu pensamento, sua percepção sobre esta questão, ficaremos satisfeitos”, disse, ressaltando a repercussão não só na comunidade acadêmica mas em âmbito nacional e internacional. “Em nome de toda a equipe estamos felizes de poder participar da 3° edição do Inconfidentes”.

Assista Me respeita!

* A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Helvécio Ratton participa de debate em Mariana

Por Ana Paula Abreu

Foto: Ana Paula Abreu

Quem esteve no Teatro e na Galeria SESI – Mariana na noite do segundo dia da 3ª edição do Cine Festival Inconfidentes pode conhecer mais de perto o trabalho do cineasta Helvécio Ratton, homenageado do Festival. O cineasta participou do lançamento da Exposição Pulsando Quimeras – Contextualizando Helvécio Ratton e logo depois esteve presente na exibição de seu longa Batismo de Sangue, diálogando com o público sobre as percepções a respeito do filme.

Entre os espectadores estavam muitos estudantes da cidade. Miguel Pereira era um deles. Ele cursa História e se interessou pelo filme por tratar da ditadura militar, assunto que considera ainda não totalmente explorado.

O estudante de ensino médio Taíde Souza, da Escola Monsenhor José Horta, contou que ele os outros colegas de sala se reuniram a pedido da professora de história a fim de conhecer mais sobre a ditadura militar no Brasil. Segundo Taíde, o filme “parece muito real, esclarece muitas coisas  sobre aquele período”.

No debate, Ratton contou sobre a dificuldade de produzir o filme: “nós recriamos o que aconteceu, e foi uma realidade difícil. Por isso fazer o filme também não foi nada fácil”.  Afirmou ainda que teve a oportunidade de conversar com torturadores da época, mas optou por não fazê-lo, pois queria contar a história pela visão do torturado. O cineasta encontrou resistências no desenvolvimento do trabalho pelo fato de a ditadura militar ser um tema pouco abordado no Brasil. Mas, afirma, “a melhor forma de superar os fatos é conhecê-los a fundo”.

Ao final do debate, o cineasta deu uma prévia sobre o provável tema de um de seus próximos trabalhos: o consumismo desenfreado.

 * A cobertura do Cine Festival Inconfidentes 2012 disponibilizada aqui é uma produção laboratorial dos alunos de Técnicas de Reportagem e Entrevista 2012/1. Ao reproduzir o conteúdo a autoria deverá ser citada.

Crianças no Festival Inconfidentes

Por Rayssa Amaral

As tardes do 3º Cine Festival Inconfidentes, nos dias 6 e 7 de outubro, foram marcadas pela presença das crianças na Mostra Futuro. Foram exibidos sete filmes para crianças “de todas as idades”. Em Ouro Preto a Mostra contou ainda com uma sessão de desenhos após as exibição, sendo a programção de maior público no Festival.

Anderson Medeiros, professor do curso de jornalismo e diretor de produção do festival falou sobre a ideia de fazer uma programação especifica para o público infantil: “Desde a primeira edição fazemos essa Mostra e temos grande satisfação. É uma forma de expressarmos gratidão as comunidades de Ouro Preto e Mariana que acolhem a universidade, agregar da melhor forma possível a comunidade ao meio acadêmico, e essas crianças em algum momento estarão ligados a universidade, seja por projetos de extensão ou como futuros alunos”.

O menino Maluquinho: o filme, de Helvécio Ratton, foi a sensação entre as crianças. Bianca Bueno, aluna de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto falou da importância da participação do público das cidades no evento: “A comunidade participar e ser presença ativa no Festival é muito importante, mostra o reconhecimento do esforço e empenho da equipe e do trabalho que vem sendo desenvolvido pela universidade. O resultado positivo da Mostra é muito gratificante”.

Outros filmes que fizeram sucesso entre as crianças foram Do lado de fora, de Paulo Vinícius e Matheus Peçanha; Eram os deuses extraterrestres?, de Cacinho; Missão Estelar, de Raphaela Teles; O reino do chocolate, de Rafael Jardim; Pequenas Histórias, de Helvécio Ratton e L , de Thais Fujinaga.