Resistência à técnica e o lado humano da indústria jornalística

Por Marina Geiger, Lorrany Goulart e Raquel Lima

Foto: Polliane Torres

O jornalismo tem sofrido brutas mudanças com a mídia eletrônica, o crescimento da notícia instantânea que faz com que os textos fiquem curtos, condensados e sem muita emoção. O professor José Benedito Donadon-Leal, 53 anos, há 28 é professor na Universidade Federal de Ouro Preto. Morador da cidade de Mariana (MG), fundador do jornal Aldrava Cultural e da Associação Aldrava Letras e Artes, é um dos criadores do estilo poético de nome “Aldravia”, segundo ele “a menor forma de se fazer poesia”. Donadon é um defensor do jornalismo autônomo, onde o jornalista se inclua dentro da matéria e saia um pouco da técnica aprendida na universidade.

Donadon vê o jornalismo atual como algo muito bem equipado, no sentido tecnológico. Segundo ele, no Brasil as ferramentas são bastante avançadas e, pelo menos nesse aspecto, o jornalismo é muito bem feito. O problema está na competência dos jornalistas, os quais possuiriam uma construção discursiva rasa e noções exageradamente técnicas. As grandes mídias e a “indústria do jornalismo” estão afetando os profissionais atuais. Falta humanização da notícia, falta o jornalista que não seja “refém do diagramador”.

Doutor em Semiótica pela Universidade de São Paulo, Donadon acredita que a semiótica ajuda os jornalistas a enxergar melhor o mundo, interligando e relacionando os discursos linguísticos, sociais e culturais.

Como participação no 1º Ciclo de Estudos em Jornalismo, realizado no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), Donadon encaminhou um estudo sobre a formação do jornalista, defendendo que esta deveria ser menos técnica e acha que a realização do ciclo é de suma importância para que haja o diálogo entre docentes e alunos para fomentar pesquisas e movimentar a universidade.”