O jornalismo e o rádio em transformação

Nair Prata fala sobre o “Ciclo de Estudos em Jornalismo”, o orgulho de ser jornalista e os desafios do rádio 

por Anna Antoun e Emanuel Brandão

A professora Nair Prata é uma das entusiastas do primeiro “Ciclo de Estudos em Jornalismo”, realizado pelo curso de Jornalismo da UFOP nos dias 28 e 29 de novembro em Mariana-MG, para discutir os rumos do curso e pensar sobre a profissão de jornalista. Prata, que é professora da instituição desde 2010, destaca o pioneirismo do evento: “Foi um marco na história do curso, que agora formou a primeira turma. É importante termos esse momento de parada, pra refletir sobre a realidade do próprio curso, olhar o que já foi feito e pensar no futuro”, reflete.

A programação do “Ciclo” contou com quatro minicursos, exibição de documentários, duas conferências, dois debates abertos e reuniões de trabalhos com os professores, que refletiram sobre o papel que o curso desempenha na realidade de Mariana – MG. A presença do professor Elias Machado, da Universidade Federal de Santa Catarina, foi destacada por Prata. “A discussão sobre o ensino de jornalismo no Brasil nos fez olhar pra nós mesmos, para o trabalho que a gente faz. O Elias Machado usou muito a palavra ‘inovação’. A gente não pode ficar parado, colhendo os louros do que nós já fizemos. Temos que inovar. Temos que olhar pra frente, em como nós podemos ser melhores”, comenta.

As discussões do “Ciclo” complementam o debate constante pelo qual a mídia passa. Tanto os profissionais do ramo quanto a sociedade discutem o futuro do jornalismo. “Tenho orgulho muito grande de exercer essa profissão, que não é apenas dar a notícia. É muito mais do que isso. A gente tem um compromisso social. Sou jornalista profissional há muitos anos e eu tenho certeza que não tenho uma profissão que está parada no tempo. O jornalismo que emergir dessas discussões certamente vai ser um jornalismo melhor, que acompanha as mudanças”, constata.

Ela cita como exemplo o rádio, área de pesquisa em que atua, e que não é o mesmo desde que o italiano Marconi o inventou no século 19 e, com certeza, será diferente no futuro. “O rádio foi o que melhor se adaptou às novas tecnologias. A gente tem hoje, 15 anos depois [do advento da internet], um rádio em pleno funcionamento em plataformas multimidiáticas, com um alcance que todos os cantos do planeta podem acessar a emissora de rádio. O rádio na internet não pertence ao poder público, pertence ao cidadão”, destaca. Para ela qualquer um de nós pode fazer uma emissora de rádio sem pedir autorização pra ninguém e fazer a programação que quiser.

Entre os desafios que o rádio terá de enfrentar, um deles é a publicidade. Como colocar anúncios no rádio, que atenda aos anunciantes e se destine ao público certo? A professora pesquisa atualmente novos modelo de negócio que poderão emergir. “Com o rádio na internet nós temos uma audiência pulverizada. Nós vivemos na era da segmentação, do nicho, da teoria da cauda longa do Chris Anderson. Temos rádios com ouvintes espalhados no mundo inteiro. E qual comercial que vai interessar? É o da pizzaria da esquina? É do delivery? Uma rádio na internet anunciava entrega de pizza! É dinheiro jogado fora”, diz.

A relação do ouvinte com o locutor também mudou e tende a ser diferente quanto mais a população tiver acesso à mídia. “Não se fala mais ouvinte, mas usuário. O usuário pode conversar com o comunicador pela webcam. Então, aquela figura mítica do comunicador não existe mais. Agora ele tem um corpo, não tem uma voz apenas. Para o futuro, essas transformações vão se consolidar”, acredita. O futuro do rádio é cada vez mais caminhar em direção a um tripé: não apenas sonoro, mas imagético e pontual.

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