Ouvir e trocar ideias é base para o jornalismo

Presente e perspectivas do jornalismo – 1º Ciclo de Estudos em Jornalismo – Caminhos e Tendências 

por Elis Regina, Paloma Ávila, Di Anna Lourenço

Foto: Rodrigo Pucci

Sempre alegre e receptivo, o professor de Audiovisual e Fotojornalismo no curso de Jornalismo da UFOP, Anderson Medeiros da Rocha, 33, falou-nos sobre o 1º Ciclo de Estudos em Jornalismo – Caminhos e Tendências que aconteceu nos dias 28 e 29 de novembro. Medeiros considera a iniciativa muito importante, pois a base da formação dos futuros profissionais em comunicação se constrói no saber ouvir e trocar ideias, afirma. Citou como exemplo dessa interação a presença dos palestrantes, os professores e pesquisadores Marcos Palácios e Elias Machado, que trouxeram experiências significativas e interessantes sobre os temas debatidos.

Anderson, no entanto, ressaltou a ausência dos alunos. “Fiquei muito surpreso, pois houve uma grande mobilização dos professores. No segundo dia de conferências estavam praticamente todos docentes. Mas não tínhamos público naquele auditório equivalente a uma turma. Isso é profundamente lamentável” pontuou. “Porque é muito trabalho, muita dedicação. Não era para a gente. Era para a faculdade, a instituição. Quem é a instituição? São os alunos. A instituição não somos todos nós. Tudo o que acontece é porque os alunos são importantes.” Deixa claro que o professor é um dos elementos necessários para a boa formação e que os eventos são todos direcionados ao corpo discente. E quando estes não comparecem é frustrante constatar o grau de desinteresse dos alunos do curso.

Em meio a esse desabafo, traça um panorama sobre o que se esperar de sua área de atuação, imagem e produção audiovisual. Afirma que o mercado está em crescimento. “Os computadores são amplamente desenvolvidos para processar imagens. Hoje em dia todos tem um computador e conseguem processar imagens. Os veículos de comunicação estão aceitando que o público mande imagens que estes produziram. Até porque, a pessoa que está em casa muitas vezes é a que está mais próxima da notícia do que o jornalista” afirma.

Neste cenário, em que o consumidor também é produtor de imagens e assiste de perto os fatos ocorridos em seu cotidiano, Medeiros não acredita que essa realidade seja um fator competitivo para o jornalista. “Atualmente, acho que não gera. Por quê? De um lado temos crescimento de novas possibilidades de exibição de imagens: novas TVs, canais e TVs na internet. Com a TV digital vamos ter uma divisão de bandas, com canais dentro de um mesmo canal. Então, de um lado há a maior possibilidade de exibição, e do outro, a participação maior da comunidade, que quer se ver na TV e participar da construção da notícia que ela está vivenciando, está próxima. Do ponto de vista da credibilidade da informação, aí é que começam algumas questões: apuração e ouvir todas as partes. Embora o jornalista não seja uma pessoa 100% isenta, ele não consegue passar a notícia exatamente como ela aconteceu. Isso vale para o jornalista, repórter cinematográfico e fotógrafo. O jornalista é uma pessoa que aprendeu técnicas, supõe-se, para passar as informações da forma mais imparcial possível de todos os lados. Já o “cidadão comum”, não é uma pessoa que tem muito essa noção, ele vai passar a visão dele.” Nesse sentido, Medeiros conclui que cabe ao jornalismo apurar informações que o indivíduo envia para a TV, pois, o que este envia é uma mera ilustração e comprovação. Mas, sempre, tendo em mente o fato de toda a apuração ser dever do jornalista. “Se não, daqui a pouco teremos um jornal que é feito só pelo ‘cidadão comum’. Que não é desmerecimento, mas não é algo profissional e deve ser analisado de outra forma”. É algo amador, que não tem necessariamente a ver com a credibilidade e com a verdade, uma vez que não foi devidamente apurado, defende o professor.