A utilização das novas mídias contribui para a democratização da informação

Por Douglas Gomes, Katiusca Demetino e Pamela Moraes 

Ao pensar em “novas tecnologias”, especialmente a utilização da internet é importante pensar de maneira positiva em como esses meios contribuem para um diálogo aberto e democrático. É mais uma possibilidade de refletir, de realizar uma intercâmbio daquilo que, anteriormente, era desconhecido.

O professor, membro do corpo docente da Universidade Federal de Ouro Preto e doutorando em Cinema na escola de Belas Artes da UFMG, Adriano Medeiros da Rocha enfatiza: “Seja a janela da grande rede, seja a janela do festival, seja a janela da pequena mostra de bairro, toda janela é importante, especialmente essa que é tão popular, que é tão próxima de cada um de nós, e que é tão viável; mesmo quem não tem computador em casa, vai numa lan-house com um, dois reais e tem acesso a uma hora de qualquer material ou praticamente todo material disponível na rede.” A produção deste tipo de material, que antes era algo distribuído aos grandes conglomerados midiáticos, se democratizou com a avanço cada vez mais crescente das tecnologias”. Adriano leciona aulas de Telejornalismo e Introdução ao cinema na UFOP e possui dois projetos diretamente ligados ao audiovisual.

Assim como as origens das teorias da comunicação, a introdução do audiovisual como uma forma de transmissão da informação é recente. As primeiras transmissões via Televisão ocorreram a partir de 1935. Nessa época as televisões eram direcionadas apenas às pessoas de prestígio social elevado. Após a segunda guerra mundial os preços caíram e a televisão enfim popularizou-se. A partir dos anos 50 foi criada a TV à cores, mas somente após 1962 tivemos as primeiras transmissões via satélite. Todos esses processos de evolução da televisão foram impulsionados também pela globalização. Outro recurso tecnológico que caminhou de mãos dadas com a globalização foi a internet, que hoje já ultrapassa a televisão como meio de comunicação mais rápido e eficiente.

Da mesma maneira que a internet ,a televisão e o rádio, o cinema é um recurso de transmissão de idéias e comunicação. O cinema foi criado anteriormente a TV e hoje possui técnicas cada vez mais avançadas de produção e reprodução. O recurso cinematográfico começou com a grande vontade do homem se expressar e dividir sua imaginação, mesmo sem recursos tecnológicos avançados conseguiu atrair multidões aos cinemas. Hoje o cinema conta com salas 3D e diversos tipos de produções por toda parte do mundo.

Adriano também ressalta que é inviável atualmente pensar no Jornalismo sem a utilizações dos recursos tecnológicos como as redes e o audiovisual. Ele ressalta, ainda, que estamos diretamente ligados num processo de hipermidias, onde todos estão entrelaçados e interligados e pensando assim é impossível pensar em comunicação sem pensar também no audiovisual. “Hoje, por exemplo, você assiste um telejornal e você é sugerido a entrar num determinado site, ou o site te `linka` com um trecho de vídeo, com um trecho fotográfico, ou você tem uma determinada revista que vai te indicar um artigo que vai aparecer um fragmento audiovisual, então nós, constantemente vamos utilizar desde o instante que a gente levanta, que a gente acorda, até os procedimentos mais complicados de nossas vidas, sempre de uma maneira ou de outra, estão `linkados`.”

Aliado a democratização da informação o cinema é um fluxo transmissor em constante adaptação. Hoje ele alcança diversos meios sociais e transmite para diversas pessoas os mais variados temas. No Brasil não é diferente. As produções nacionais estão em expansão, o governo tem incentivado produções independentes e novas leis tem sido implementadas para atender a esse novo público consumidor e produtor do audiovisual.

Adriano também nos destaca isso em sua entrevista: “Nós temos aí dezenas, centenas de pessoas produzindo por esse país por todas as nossas regiões. As regiões mas pobres hoje já tem a possibilidade de produzir. Nós tivemos aí um grande desenvolvimento de tecnologias móveis, isso foi algo que contribuiu muito; nós tivemos um barateamento de preço”. Para ele esse processo só tem se desenvolver no futuro, ampliar suas formas e aplicações: “Eu creio que, cada vez mais, vamos usar audiovisual, cada vez mais, as pessoas vão incorporar a linguagem do vídeo, do cinema, da imagem em movimento a suas vidas”.

A primeira edição do Ciclo de Estudos em Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto, ocorreu nos dias 28 e 29 de novembro. Com a proposta de uma imersão aprofundada para uma reflexão sobre as formas e os caminhos a serem seguidos no ensino de jornalismo num âmbito nacional, com o foco voltado para as diretrizes internas da instituição, como aprestando na página do evento, as diretrizes dentre outras questões relevantes são: o fomento do diálogo entre os próprios membros do corpo docente para uma construção colegiada das propostas que envolvem o projeto pedagógico, a matriz curricular e as dinâmicas do Curso. Para Adriano essas questões são fundamentais “Nós temos um time hoje em que todos nós fazemos muitos trabalhos, mas ao mesmo tempo estamos pensando em quê podemos melhorar efetivamente, não apenas na aula, mas enquanto seres humanos, enquanto pessoas, e enquanto profissionais nas várias instâncias. Na boa parte do ciclo além da convergência, nós discutimos a possibilidade de daqui a pouco ampliar nossa pesquisa, nossa extensão . Essa ampliação vem no sentido de oferecermos um mestrado, um doutorado e que os alunos de graduação possam, desta forma, estar conosco em outros momentos e que seja um curso em que haja um desejo de aprofundamento de pesquisa e extensão ligados diretamente ao ensino.”

Festival Inconfidentes de Cinema, lançamento oficial da exposição “Pulsando Quimeiras.” / Facebook Festival Inconfidentes