O Ciclo de Estudos em Jornalismo em perspectivas otimistas

por Ana Amélia Maciel, Leticia Afonso, Sandro Aurélio

O Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) recebeu nos dias 28 e 29 de novembro de 2012 o Ciclo de Estudos em Jornalismo. O evento realizado pelo curso de Jornalismo da UFOP ofereceu conferências, minicursos e debates que tiveram como objetivo discutir caminhos da prática jornalística, suas perspectivas de ensino e formação desses profissionais.

O Ciclo de estudos foi pensado pelo “Núcleo Docente Estruturante ” (NDE), aquele encarregado de pensar o currículo e o curso. Essa idéia tem aspectos de um treinamento, pois é uma oportunidade para que tanto os professores quanto os alunos façam uma atualização e discutam coisas que os preocupam.

Minicursos e debates foram proporcionados aos alunos durante as duas tardes abarcando os temas: Cobertura Fotográfica, Revisão Bibliográfica, Tv Educativa, Movimento Estudantil e Combate à Homofobia. Enquanto isso os professores se reuniram com o professor Elias Machado (UFSC) para discutir a reforma curricular e com o professor Marcos Palácios (UFBA) para conversar sobre a convergência de mídia, como você estuda e como você ensina a convergência nesse jornalismo permeado por tantas tecnologias. “E isso foi legal, porque a gente pode externar preocupações que sentimos tanto do ponto de vista do ensino, quanto do ponto de vista de que tipo de jornalista estamos formando.” disse a professora Hila Rodrigues do curso de Jornalismo da UFOP. No período da noite houve conferências com os professores convidados abordando questões metodológicas sobre a pesquisa em Jornalismo e a influência das novas tecnologias na produção do Jornalismo como memória. Para a professora Hila “foi bem bacana, porque a gente produz histórias, recebe e deixa memórias”.

Quando questionada sobre a discussão entre os professores e os convidados, Hila disse que teve a impressão de que “a gente [curso de Jornalismo da UFOP] é mais ‘bacana’. Eles [professores convidados] vieram de universidades onde o curso de Jornalismo tem mais tempo e eu descobri que a gente é muito criativo, trabalhamos alguns aspectos nos alunos e eles ainda não sabem fazer isso. Porque a gente forma um jornalista sobretudo que reflete, pensa, que não é só mais consciente, é mais gente. É uma abertura para uma maior sensibilidade, para um jeito de olhar que tem haver com o cidadão, e eu achei que nós fazemos isso de um jeito legal. Senti que estávamos à frente deles em algumas coisas, atrás em várias outras. O currículo é algo que a gente aperfeiçoa sempre, o currículo só se faz apanhando.”

Sobre os novos rumos que o profissional do jornalismo está tomando devido à convergência midiática a professora diz ser otimista, “me falam que não agüentam esse meu otimismo doentio, mas acho que ele [o jornalismo] só tende a melhorar, porque amadurecemos como profissão. A gente passou de uma época em que as manchetes eram todas opinativas. Acabei de dizer em sala de aula que a imparcialidade, neutralidade não existe e que a intenção você precisa buscar só como exercício diário. E mais, pelo fato de que hoje você tem um jornalismo em que a participação é elemento inerente, você tem que responder, você não fala sozinho, porque teve uma época, se você pegar esse jornalismo dos anos cinqüenta, que você falava sozinho, sem enxergar ou sem pensar no seu interlocutor. E depois ele foi calado pela ditadura, pra ele surgir novamente ele teve que reaprender a respirar e caminhar. Porque quando você fica parado, quando tem uma força te parando, para recobrar forças você tem que rever uma série de outras coisas. E eu acho que esse cenário de novas tecnologias embora me deixe um pouco zonza, ele tem essa possibilidade do respiro, a gente fica maluco com tanta coisa mas o respiro que eu digo é o respiro da informação. Porque hoje quando a pessoa responde, é igual eco, é como se antes você gritasse e não tivesse eco do lado de lá, e agora ecoa pra tudo quanto é lado, você da um grito e tem um retorno. E você começa uma narrativa que vai ser concluída por um outro e que depois vai realimentar sua própria narrativa e por isso eu acho que caminha para um lado bom.”