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“As coisas boas precisam terminar”

Marcelo Träsel, Daniel Pellizzari, André Czarnobai e Emiliano Urbim fecharam com chave de ouro a última mesa da SECOM, cujo tema foi “O blog como grande reportagem”, tendo como mediadora a professora Joana Ziller, da UFOP.

Träsel,  professor e coordenador da especialização em Jornalismo Digital da Famecos da PUCRS, e Pellizzari, escritor, tradutor e editor, trataram de assuntos técnicos e discutiram o blog como uma importante ferramenta de alcance de públicos específicos, de qualquer lugar do mundo. De acordo com Träsel, “os blogs criaram a possibilidade de se fazer reportagens grandes que não são apresentadas para o leitor num só pacote, uma vez que o formato de reportagens ‘picadinhas’ tem se disseminado”.

Na opinião de Träsel, apesar de funcionais, os blogs vêm sendo canibalizados por outros meios de comunicação e redes sociais, uma vez que não são considerados práticos, pois devem ser atualizados regularmente. Além disso, outros canais vêm sendo criados para facilitar a interação entre vídeo, texto, foto e outras mídias, que garantem rápidas edições e podem ser acessados de dispositivos móveis.

Czarnobai, jornalista e roteirista, é mais conhecido como Cardoso devido ao sucesso de seu antigo projeto, o e-zine “Cardoso Online” (http://www.qualquer.org/). O convidado trouxe descontração para a plateia ao fazer uma divertida narração de suas histórias profissionais e sobre a famosa fanzine, que continha pequenos comentários sobre suas preferências artísticas, escritas por ele e mais três amigos, incluindo Träsel. “Foi acidental. Era bom porque a gente não teve medo de errar” – declara Czarnobai.

Urbim,  diretor de redação da revista Galileu, declarou ainda que a possível decadência dos blogs seja pela carência de novas ideias de grande reportagem. “É fácil fazer um blog, mas faltam ideias” – afima o jornalista e editor.

Jornalismo gonzo ainda é possível?

Quando questionado sobre a possibilidade de fazer jornalismo gonzo nos dias atuais, Träsel conta que essa modalidade foge muito da linguagem jornalística objetiva, onde a informação tem precedência sobre o estilo, mas afirma categoricamente: “dá para fazer informação fora do modelo da pirâmide invertida”.

Após a mesa, as cadeiras e os microfones deram lugar ao globo de luz e as caixas de som. Era hora da festa de encerramento, com boate, bebidas e mais diversão garantida.

Texto: Laura Vasconcelos

Imagem: Fafi Firmo

Lidando com a paixão

O torcedor vê jogo de um time só.”

Jornalismo esportivo lida com umas das maiores paixões do brasileiro: o futebol. Odilon Amaral, repórter de esporte da Rede Globo, diz que “é complicado mexer com o fanatismo dos torcedores”. Para ele, não existe fórmula para contar as histórias, o ideal é utilizar os recursos audiovisuais, as informações consistentes e uma narrativa atraente. O diálogo deve ser bem roteirizado e ter coerência. “Telejornalismo é uma espécie crônica”, diz Amaral.

Odilon Amaral não pensava em trabalhar com esporte. Fez até o último ano do curso de economia e largou para fazer jornalismo, pretendendo trabalhar no jornal impresso e no caderno de política, mas, foi convidado a trabalhar na Rede Record e, um tempo depois, foi para a Rede Globo. Afirma que o que mais o frustra é quando tem uma boa história e não consegue contar.

Segundo o repórter esportivo a utilização de recursos audiovisuais, como arquivos de TV, videografismo, referência cinematográfica, áudio (texto off, diálogo, ruído, som ambiente e trilha sonora), faz com que atenção do telespectador seja atraída. Estes métodos são bons para ilustrar um ponto bonito, uma jogada que marcou o jogo ou um salto espetacular. De acordo com Odilon, “não é necessário ficar preso a uma descrição cronológica, já que o lide pode estar nos 45 minutos do segundo tempo”. E completa: “a criatividade é fundamental, apesar de não poder acrescentar fatos”.

Outra dica que Amaral dá é que o repórter deve buscar se informar, ir a fundo na pesquisa, praticar algum esporte para que fique mais fácil falar sobre os diversos assuntos, ser criativo e ter um bom relacionamento com seu cinegrafista. Em algumas situações será ele quem vai pegar o melhor detalhe para a notícia.

Texto e imagem: Júlia Mara Cunha

O jornalismo esportivo

“Em cada cobertura há fatos relevantes e diferenciados.”

O jornalista Odilon Amaral palestrou na SECOM sobre sua experiência na cobertura de esportes e as características do jornalismo esportivo, pensando a conjunção de palavras e imagens. Para “passar a mensagem” é preciso ter um bom texto, chamar a atenção para a cena, ter plasticidade nas imagens, um ruído que funcione, ou seja, um efeito sonoro com significado, como a agitação da torcida. O som ambiente aproxima o expectador da matéria, afirma, e a narrativa representa o diálogo entre as imagens e momento exibido.

Para Odilon é essencial pesquisar, aumentar o repertório, buscar mais elementos e fatores atrativos para se obter uma boa reportagem.

Existe sempre uma dúvida, o que mostrar? Segundo ele é interessante mostrar um ponto bonito, uma jogada marcante, um salto espetacular e, também, não se prender à descrição cronológica, como em um jogo de futebol, pois é preciso evidenciar os fatos relevantes. Não dá para mostrar a dimensão de um lance na TV. Odilon Amaral defende que é sempre bom tentar dar um exemplo de algo mais simples e de mesma dimensão para que o telespectador saiba relacionar a distância do lance. Em uma reportagem é preciso ter recursos audiovisuais, informações consistentes e uma narrativa atraente. E ainda dá a dica: fugir do fácil, o simples é recomendado.

“Não existe forma para narrar diversas histórias, em cada cobertura há fatos relevantes e diferenciados. A melhor forma de dar a informação é em um formato de crônica, pois expõe sua forma pessoal de compreender os acontecimentos e porque a crônica traz informação e entretenimento”, destaca o jornalista.

A aluna Viviane Ferreira, que adora futebol, comentou que a palestra de Odilon Amaral trouxe acréscimos em sua formação e só aumentou a vontade de trabalhar com jornalismo esportivo.

Texto: Patrícia Souza

Cinema e as relações de gênero

Na tarde dessa sexta-feira, último dia da SECOM, o professor Carlos Alberto de Carvalho ministrou a palestra sobre Cinema e gênero. Foram abordados temas como a homofobia e transsexuais.

Para Carvalho, os filmes auxiliam a sociedade a entender essas relações. Ele citou o filme Tudo sobre minha mãe, do cineasta Pedro Almodóvar, que apresenta uma construção narrativamente forte, permitindo entender as hierarquias das relações.

O professor explicou que as relações de gênero são construções sociais, e que é necessária uma discussão sobre o tema, para romper as divisões da mesma. Apresentou como exemplo a mídia jornalística, que trata a questão dos travestis sempre associados a violência, é raro aparecer fora desse estereótipo. Ele enxerga isso como um problema, porque assim reduz a questão do gênero simplesmente ao sexo, como era visto antigamente. Hoje se fala em relações de gênero, já que introduziu-se diversos elementos, como política.

Para Carlos Alberto, um leigo em cinema não precisa necessariamente saber sobre os gêneros que compõe um produção cinematográfica. Já para um indivíduo que se inicia na vida acadêmica é importante entender essas concepções. Em relação às caricaturas que aparecem nas mídias ele diz que é desejável que elas desapareçam, não no sentindo de serem retiradas da mídia e sim incorporar outros gêneros, sem que seja preciso dos aspectos caricaturais para facilitar o entendimento dessas relações.

Texto: Patrícia Botaro

Redes sociais e Jornalismo: novas oportunidades de trabalho

Professor Carlos d’Andrea mostrou a expansão do jornalismo na internet

Atualmente as redes sociais tem conseguido vários adeptos, grande parcela da população tem perfis em algum tipo de site de relacionamento. Além de serem utilizadas como meios de distração, o Facebook, Twitter, Orkut e outros, podem ser utilizados como fonte de informação. Muitos jornalistas têm largado as redações para trabalharem como analistas de redes sociais. Foi desse assunto que Carlos d’Andrea falou em sua oficina Jornalismo em Redes Sociais, no último dia de Secom.

Em sua oficina, o Doutor em Linguística Aplicada, professor da área de webjornalismo, falou do papel de mediador do jornalista e da necessidade de novos modelos de edição. Com o crescimento das redes sociais o papel do jornalista se diluiu, ele deixou de ser o único intermediário a transmitir mensagens autorizadas a entrar na esfera pública.

d’Andrea mostrou a seus alunos a importância de saber filtrar o que se posta na rede, pois muitos empregadores analisam os perfis de seus candidatos. Mostrou também os cuidados que o jornalista deve ter ao ver uma notícia e já sair divulgando, ele tem que analisar sua fonte, checar a reputação, a visibilidade e a autoridade dela.

O professor apresentou aos alunos algumas ferramentas que possibilitam colher informações rápidas e saber o seu grau de influência nas redes sociais. Quando questionado sobre o por quê da escolha da web para trabalhar, Carlos foi claro: “Quando eu cursava jornalismo, nos anos 90, a internet estava surgindo, era uma coisa nova, fiz meu trabalho de conclusão de curso pautado neste assunto”.

Por Rosana Maria Freitas ( texto e imagem)

Curiosidade sobre ciência

Em uma palestra descontraída e divertida na Semana da Comunicação da UFOP (SECOM), nesta manhã de sexta-feira, o diretor de redação da revista Galileu, Emiliano Urbim, falou sobre Jornalismo Científico e de como trabalhá-lo em uma revista.

Emiliano, que já foi editor da Galileu e da Superinteressante, abordou o surgimento do jornalismo científico, quando aparece a necessidade de escrever sobre a ciência, a fase em que a tecnologia era vista como mágica, até a crise do jornalismo cientifíco, devido ao excesso de informação e o recorrente aparecimento de novos estudos.

O trabalho científico pode ser transformado em jornalismo através da divulgação científica por meio de mídias como aulas on line, DVDs, canais do you tube, wikipedia, livros e revistas especializadas. O grande desafio para se fazer jornalismo científico é que boa parte dos assuntos são bastante extensos, há uma “overdose de dados” e é preciso muita comunicação por conta da dificuldade de acesso com as fontes. O jornalista sugere algumas revistas especializadas como a Mind, que publica somente matérias relacionadas com o tema cérebro. A proposta do jornalismo científico é fazer a diferença, tratar temas que abordam a ciência do dia a dia, buscando da base científica para resolver os problemas do cotidiano.

Não há uma base teórica sobre ciência, segundo Emiliano para se fazer um bom jornalismo científico é sempre bom procurar entender o assundo de maneira árida, pesquisar, ler bastante, simplificar, traduzir conceitos, garimpar imagens, conhecer gente, conquistar fontes, desconfiar sempre do que se escreve, ter capacidade de relacionar matérias e pautas, ter humildade de entender a matéria para que se possa reproduzir em uma linguagem mais simples possível. Ele ainda ressalta que não é necessário ter uma especialização para trabalhar com o jornalismo científico, mas deve-se buscar ampla informação sobre ciência.

Texto: Patrícia Souza

Organizadores têm grande expectativa para Festa de Encerramento da Secom

A terceira semana de comunicação será encerrada hoje com a Boate da Secom. Com início marcado para as 23 horas, no Anexo do ICHS, a festa não será exclusiva para estudantes da UFOP. A entrada antecipada custa R$3,00 para estudantes do curso de Jornalismo e R$5,00 para os demais interessados.

O aluno Gustavo Kirchner, um dos organizadores do evento,  afirma que as bebidas terão preços acessíveis. Quem promete garantir a animação da festa são os DJs Max Miller e Wesley, que irão do House ao Funk sem perder o ritmo. A estrutura do lugar é apropriada para eventos e conta com banheiros femininos e masculinos separados, palco, área ampla e arejada. O evento contará seguranças para garantir um ambiente seguro e tranquilo para todos os festeiros.

Os organizadores do evento Arthur Medrado, Thiago Guimarães, Gustavo Kirchner e todo o Centro Acadêmico esperam um público variado. “Contamos com a grande presença dos estudantes de jornalismo, mas também com um público diferente, por ser um evento aberto dentro da universidade”, afirma Arthur Medrado.

Texto: Thamira Bastos

Mesa fecha o segundo dia em clima de descontração

O segundo dia da Secom foi encerrado com a mesa aberta sobre os Aspectos Visuais da Reportagem. O evento que ocorreu no anexo do ICHS e teve início às 19h, contou com convidados ilustres, interação com os estudantes e exposição de alguns trabalhos.

Os convidados, o jornalista Alexandre Rodrigues, a infografista Renata Stephan e fotógrafo Eugenio Sávio, compuseram a mesa com os mediadores Lincon Zarbietti, estudante de jornalismo, e Ricardo Augusto, professor da UFOP.

A mesa teve início com apresentação dos convidados, suas respectivas profissões e exibição de alguns trabalhos em revistas, coberturas de eventos, viagens, etc . Dentre os vários assuntos colocados em questão, o crescimento da interação entre conteúdo escrito e visual, foi aprofundado por todos. Além disso, a capacidade de apuração exata da infografia e as diversas meneiras de melhorar visualmente sua reportagem, utilizando criatividade, clareza, informação confiável e tecnologia, tiveram uma atenção especial.

O debate começou após as apresentações dos convidados e foi aberto por Lincon Zarbietti. A interação dos estudantes com os convidados, que responderam às perguntas com clareza e descontração, foi positiva. Diversos assuntos foram questionados pelos universitários, dentre eles, os primeiros passos do profissional da área, a relação arte visual e matérias diárias, adaptação à tecnologia e sensibilidade de edição.

Texto e imagem: Thamira Bastos

A redação está em você

Os futuros jornalistas e as novas reportagens

O freelance está chegando para ficar. São jornalistas que não trabalham em redações, mas que produzem matérias para os veículos de comunicação. Segundo Alexandre Rodrigues, 44 anos, “o repórter passa a produzir coisas que lhe façam sentido”. Jornalista há mais de vinte anos e há um trabalhando em casa, diz que resolveu seguir este caminho por estar cansado de fazer as mesmas reportagens.

“O desafio de criar textos em casa é muito mais complicado, pois exige do profissional disciplina, respeito a prazos, leitura regular e o conhecimento de ferramentas tecnológicas”, de acordo com Rodrigues. Por isso, as pessoas que têm boas ideias, que cumprem prazos, acumulam e buscam conhecimento e cultura se sobressaem melhor.

Quem trabalha produzindo conteúdo encomendado tem mais possibilidade de contar histórias interessantes e divertidas, já que pode escolher o que vai escrever, pois ele passa a ser seu próprio editor. Alexandre, dá uma dica “a presença em mídias sociais, como blogs, Twitter, Facebook são importantes para que se consigam estes trabalhos.”

Com o crescimento deste mercado, os novos jornalistas podem escrever matérias mesmo sem ter a experiência exigida pelas redações. Porém, existem fatores que podem impedir uma produção com maior qualidade: a falta de credencial para entrar em determinados locais que acabam dificultando apuração dos fatos, o feedback incerto e a forte concorrência. Outro fator apontado pelo jornalista é a solidão, que segundo ele muda os parâmetros de trabalho, já que passa a se importar mais fazer as matérias do que conviver com as pessoas.

No caminho em que o jornalismo está indo, Alexandre Rodrigues afirma que os futuros profissionais da área irão promover novas formas de produção de material jornalistico. Vão existir mais projetos de colaboração, jornalismo de graça para levar informação mais clara e objetiva sobre determinada comunidade, empresas de edição compostas por jornalistas que editarão textos de outros veículos, deixando-os cada vez melhores, cada repórter será sua própria redação e a produção de projetos completos (vídeo, foto e texto) irá originar novas cooperativas de informação.

Texto e Imagem: Júlia Mara Cunha

Muito além da futilidade

“Fotografia de moda é contar histórias inventadas” Daniel Magalhães


Fotografar, manipular fotos, ter relação com o cliente e criação de ações de marketing são atributos de fotógrafos como Daniel Magalhães, 25 anos, que há quatro anos registra modelos para books, campanhas de confecções e ainda produz vídeos de moda. Este jovem artesão, como ele mesmo se define profissionalmente, diz que a parte mais difícil é manter um repertório criativo para que seus trabalhos sejam bons. Outra dificuldade é ter autocrítica para saber onde se pode melhorar.

A melhor parte da profissão, segundo Magalhães, “É tudo! Sou apaixonado com meu trabalho. É muito bom surpreender as pessoas com imagens”. Sócio da produtora Kaspar Filmes, tenta a cada dia criar coisas novas, tanto que está com um projeto chamado “Sophia”, no qual produz vídeos de moda de uma garota fictícia.

“Quanto maior o repertório e o conhecimento, melhores serão as histórias contadas através da fotografia”. Para quem quer seguir a carreira de fotógrafo, Daniel Magalhães diz que não é necessário ter o equipamento caro, mas, sim, ter conhecimento e cultura, já que se fotografa mais com a sua história de vida do que com uma câmera de alto custo.

O jovem “artesão” espera que no Brasil as empresas e as pessoas passem a valorizar mais o trabalho de fotógrafos de moda, que eles sejam reconhecidos pelo que fazem, pois este tipo de foto pode ser, inclusive, uma forma de protesto.

Texto e imagem: Júlia Mara Cunha

Reações variadas no primeiro dia de oficinas

Marcando o início da Semana de Estudos em Comunicação Social – Jornalismo (SECOM), a primeira aula de uma oficina de dois dias de Edição de Vídeo foi ministrada no laboratório de iMacs do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas.

No primeiro dia, a oficina, a cargo do jornalista e técnico em audiovisual Thiago Caldera, durou cerca de três horas. Durante a atividade, os alunos tiveram contato com uma ferramenta muito utilizada em produções jornalísticas, o software Adobe Premiere, e puderam aprender os princípios do trabalho de edição audiovisual.

As respostas à oficina foram diversas. Nathália Souza Silva, 19, estudante de Jornalismo, diz que “esperava um pouco mais”, mas que também sua reação pode ter sido essa por nunca ter feito edições em audiovisual. “Eu não sei, mas eu fiquei entediada”, disse a estudante. Ela também comentou que, mesmo não se interessando pela área, o que aprendeu poderá ser muito útil caso seja necessário fazer alguma produção audiovisual para sua carreira profissional.

Já Dayane Barreto diz ter gostado do que aprendeu: “Achei muito interessante e sempre quis aprender a editar vídeos”, afirmou.

Texto: Pablo Bausujo