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Professores sugerem a busca de uma outra narrativa para o jornalismo

Texto: Eloíza Leal, Lucas Lima e Yasmini Gomes

Áudios: Fádia Calandrini e Rayanne Resende

Fotos: Lincon Zarbietti

“Outra Narrativa é possível” foi o tema da mesa desta quinta-feira, 21 de outubro, da Secom, que contou com a presença dos professores Vera França, da Universidade Federal de Minas Gerais, e de Fernando Resende, da Universidade Federal Fluminense. A partir do tema, eles enfatizaram a idéia de que o jornalismo deve ser entendido como uma narrativa, apesar de que nem todos os seus gêneros, como a fotografia, se pautem nesse princípio.

Vera França enfatizou três fases distintas da narrativa no jornalismo. No primeiro plano ela é vista da perspectiva do narrador; cabe a ele criar situações de conflito e unir os laços que vão construir a história dos sujeitos. Em uma segunda etapa, ela é marcada pelo compartilhamento da informação. Por fim, a narrativa é marcada pela tentativa de ter uma linguagem objetiva.

A professora comenta que em todos esses momentos tentar separar a narrativa do narrador é uma grande ilusão do jornalismo. “Narrar é dar sentido as coisas do mundo, estabelecer um andamento. Atrás da narrativa, com maior ou menor evidência, está o narrador”, afirma.

A respeito do enquadramento dos fatos, a professora disse que “narrar um acontecimento é estabelecer sentidos, juntar elementos e tecer uma história”. Ouça um pouco mais sobre isso:

Fernando Resende complementou afirmando que o jornalista deve dar vida aos acontecimentos, aos objetos dos quais falamos e aos sujeitos que nos referimos. Ressaltou ainda que a narração é sempre uma tentativa de se comunicar com o outro, assim o narrar jornalístico está ancorado em fatores sociais e históricos. Produzimos sentidos para que os outros nos entendam.

É nesse contexto que o jornalismo deve ser entendido como cultura. “O jornalista em um tempo tem um papel, em outro tempo possui outro, isso é cultura. Essa dinâmica que está em questão todo o tempo é o jogo cultural”.

Ao questionar se uma outra narrativa para o jornalismo é possível, Fernando Resende citou o filosofo Roland Barthes, “inúmeras são as narrativas do mundo”. O palestrante explicou que para experimentar outros modos na narração, o jornalismo precisa dialogar com a literatura, documentário, quadrinhos e novas mídias. Para ele, esses formatos diferenciados “dão parâmetros para as técnicas narrativas, fazem um cruzamento produtivo entre ficção e realidade e oferecem um deslocamento de formas, um reposicionamento de sujeitos”.

O professor fala mais sobre a diversidade de narrativas no jornalismo:

Fernando Resende exibe documentário realizado no México

Na discussão sobre as outras narrativas possíveis para o jornalismo, Fernando Resende apresentou o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”, realizado a quatro mãos com a jornalista Tatiana Carvalho. O curta mostra o cotidiano de pessoas que escrevem cartas para pessoas na praça da cidade do México, ocupação tradicional existente desde o século XIX.

O curta foi produzido em um período de cem horas durante a quarta edição do Festival Internacional de Documentário do Distrito Federal mexicano, realizado em 2009. O documentário foi o único vídeo brasileiro premiado no evento, recebendo uma menção especial do júri, pela sensibilidade e delicadeza ao tratar do tema.

Confira o documentário “Las cartas de la Plaza de Santo Domingo”:

Intervenção Cultural traz ritmos brasileiros à Secom

Texto: Luiza Barufi

Fotos: Lincon Zarbietti

A mistura de ritmos como congo, maracatu, música popular brasileira e folclore marcou a abertura segunda noite da Semana de Comunicação da UFOP. Os alunos da oficina de canto coral do Conservatório de Música Mestre Vicente, de Mariana, fizeram sua primeira apresentação sob regência do maestro Adeuzi Batista Filho.

“Dialeto do Congo”, “Maracatu”, “Amor de índio” fizeram parte do repertório apresentado na noite. A Intervenção Cultural contou ainda com a apresentação da música  “Boi-Bumbá” que começaram a ensaiar na última semana.

O maestro Adeuzi disse que gosta de  inovar nas apresentações. “Alguns dizem que sou maluco, mas quem mexe com música é maluco mesmo” confessa.

Arte traz informalidade à Secom

Texto: Eloíza Leal

Fotos: Lincon Zarbietti

O auditório do prédio do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas transformou-se em um ambiente colorido e aconchegante para o público assistir às palestras da segunda Semana de Comunicação. Pinturas, poemas e trabalhos fotográficos dos alunos do curso de jornalismo foram distribuídos pelo espaço com a proposta de quebrar a formalidade do evento.

As cadeiras estavam dispostas em círculos. No centro, o poema Língua, de Caetano Veloso, está exposto em forma de caracol. Teias feitas com lã representam a ideia de tecer redes sociais onde as pessoas podem se expressar.

O público ainda apreciou uma apresentação de integrantes do Conservatório de Música Mestre Vicente, de Mariana, que tocou choro, baião e flauta.