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Reflexões sobre a abordagem de gêneros na mídia

A III Semana de Estudos em Comunicação Social – Jornalismo (Secom), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), chegou ao fim nesta tarde com mais um circuito de palestras. Com o tema “Cinema e gênero”, o professor Carlos Alberto Carvalho expandiu os horizontes dos estudantes que, como aconteceu ao longo desses três ultimos dias, encheram uma das salas do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA).

A homossexualidade é um dos gêneros constituintes da formação da estrutura social contemporânea, e se faz presente na mídia de diversas maneiras, sobretudo no cinema e nas telenovelas. Carlos Alberto explicou como acontece a inserção desse tema relativamente difícil na mídia, e que mensagens podem estar subentendidas nessa relação, através da citação de personagens caricatos já conhecidos do público em geral.

O professor disse ainda que atualmente houve um certo progresso da mídia, uma vez que esta já é capaz de tratar dos diferentes estereótipos de forma mais natural, inclusive as relações entre gêneros.

Para a estudante Patrícia Souza, os pontos altos da palestra foram os exemplos dados por Carlos Alberto, que se utilizou de filmes e novelas para aproximar o tema à realidade. “Gostei bastante da forma como o tema gêneros foi relacionado com as novelas. Ele tem uma facilidade incrível de perceber situações nas novelas e utiliza-las como exemplo, o que facilita muito a nossa compreensão”.

Texto: Hiago Castro

O olhar da mídia sobre a homossexualidade

Por Caroline Gomes

Novelas e filmes exibem o olhar da mídia quando a questão é homossexualidade

Um tema bem polêmico deu início à mini-palestra “Cinema e Gênero”, que aconteceu nesta tarde, dia 27, ministrada pelo professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Alberto Carvalho. A homossexualidade foi a questão que culminou o desenvolvimento de uma conversa descontraída na qual Carlos Alberto exemplificou com filmes e tele-novelas como a mídia exibe os homossexuais.

Inicialmente, o vídeo “A drag a gozar” passou toda a idéia central da palestra. De uma forma animada, mostrou os vários estereótipos que são fundados no preconceito. A partir de filmes e tele-novelas a mídia expõe os homossexuais e para fazer isso utiliza de caricaturas. “O Zacarias em os trapalhões representava a ‘bichinha louca’. Ele era o ‘veadinho’. E a todo momento os outros trapalhões faziam piadas com isso”, disse Carlos Alberto.

A aluna do segundo período de Jornalismo, Gisela Cardoso, 18 anos, ficou atenta durante toda a palestra. “Eu achei muito interessante debater sobre a homossexualidade escandalizada pela mídia, pois é um tema atual e vem causando um conflito de opiniões”.

Carlos Alberto encerra dizendo que o seu objetivo era mostrar que há teorias e metodologias que permitem observar as relações de gênero, sendo estas construções sociais.

Secom e o lado de lá: quem faz acontecer

As chamadas grandes reportagens abordam características da narrativa literária, da história e do texto jornalístico. Foi pensando nesta maneira de fazer jornalismo, que o tema da 3° Semana de Estudos em Comunicação Social (Secom) foi escolhido. Pela primeira vez, o evento é totalmente organizado por alunos do curso.

A Secom, que para muitos tem início no dia 26, começou a ser pensada em junho ultimo. Paralelamente a isto, foi aberta uma seleção para aqueles que queriam participar da comissão organizadora. A comissão, composta por 16 pessoas, dez membros do Centro Acadêmico de Comunicação (CACOM) e seis alunos selecionados, logo começou os preparativos da semana, auxiliados por  professores de Jornalismo.
Com um orçamento de 6000 reais, distribuídos pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), através de bolsas destinadas aos alunos de jornalismo, e com o patrocínio de hotéis e restaurantes de Mariana, o grupo organizou 21 mini-palestras, uma palestra e três mesas redondas, para três dias de evento.

Os gastos concentraram-se na hospedagem, alimentação e transporte dos 16 convidados, que não cobraram cachês. Apesar disso, os membros da comissão organizadora afirmam que, como a Secom tomou maiores proporções do que o esperado, as maiores dificuldades são de ordem financeira. “Lidar com o orçamento apertado é muito difícil. É uma comissão muito pequena para um evento desse porte”, afirma Janini Sanches, estudante do 6° período e vice-presidente do CACOM.

Além de coordenar as oficinas durante toda a semana, a comissão se dividiu para  receber e acompanhar convidados, organizar palestras e resolver eventuais problemas. A organização é voluntária e, segundo Jorge Lelis, estudante do 5° período e presidente do CACOM, o que eles esperam, além de uma boa semana, é o reconhecimento e a valorização do trabalho realizado.

Por Nara Bretas e Jéssica Romero

Jornalismo Político no último dia da Secom

Por Bruna Lapa

O último dia da Semana de Estudos em Comunicação Social – Jornalismo (Secom) está a todo vapor no ICSA. Durante a manhã, a mini-palestra sobre jornalismo político, ministrada pelo jornalista Marcelo Freitas e pela professora de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Hila Rodrigues, tratou do polêmico tema com leveza e certa dose de senso de humor.

Os palestrantes conduziram a explicação sobre o assunto através da apresentação de um caso específico ligado à corrupção: os altíssimos salários dos deputados estaduais mineiros. Esse caso começou a ser repercutido em 2001 a partir de uma reportagem do jornal Estado de Minas.

O escândalo gerou inúmeras reportagens do Estado de Minas, muitas delas produzidas pelos dois palestrantes. Através de relatos de experiência pessoal sobre o fato, Marcelo expôs todo o processo jornalístico que envolveu aquela cobertura e até deu algumas dicas.

Para ele, na área politica, o bom jornalista precisa explorar as contradições, nelas que estão as notícias. Também salientou que todo repórter precisa estar bem informado sobre diversos assuntos, para se preparar para todas as notícias. E que é uma grande vontade de todos os jornalistas, principalmente dos jornalistas políticos, ver as coisas mudarem, a realidade da sociedade melhorar.

Sobre o tema, Hila complementou que o bacana do jornalismo político é que ele é um importante segmento e ferramenta para o jornalismo interventor.

Política às claras

Professores de Comunicação dirigem palestra sobre o jornalismo político e seus riscos

No último dia da Secom, aconteceu a Mini-palestra sobre Jornalismo Político, ministrada por Marcelo Freitas, jornalista e professor da Faculdade Estácio de Sá, em Belo Horizonte, e Hila Rodrigues, jornalista e professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Ambos já trabalharam no jornal Estado de Minas.

Para iniciar a palestra, eles usaram o exemplo do caso ocorrido em agosto de 2001 sobre o salário dos deputados estaduais mineiros. Marcelo deu exemplos de deputados que denunciaram depósitos extras em suas contas bancárias nos anos de 1994 e 1999. O interesse para a investigação partiu de uma declaração do deputado Aécio Neves em 2001 dizendo que “ bom mesmo era ser deputado estadual em Minas”.

Hila e Marcelo dividiram as etapas do noticiário em 5 que são: a publicação da informação, a reação popular, novas denúncias, o reconhecimento do erro e o acordo com o Ministério Público. A primeira matéria publicada do caso mostrava a declaração do Imposto de Renda de um deputado. A reação popular foi de condenação dos deputados, já a dos deputados foi que com tempo a notícia perderia força, mas novas denúncias fizeram a notícia “subir as escadas”.

O reconhecimento do erro foi quando a Assembléia decidiu reduzir o salário para R$ 27 mil, mas nas pesquisas de Hila esse salário era inconstitucional. Sendo assim, foi feito um acordo com o Ministério Público de redução para R$ 18 mil.

Hila falou sobre quando uma quebra de off pode ou não ser feita. Também falou sobre compra e venda de informação. Quando perguntado sobre os riscos da profissão, Marcelo diz que existem riscos em todas as áreas do jornalismo, mas que no político esse risco é mais claro. Já a questão de posição partidária dos jornais ele diz que essa deveria ser transparente e não mascarada.

Texto e foto: Geovani Barbosa Fernandes

A linguagem visual da reportagem

A segunda mesa de debates da Secom, realizada no dia 27 de outubro no anexo do Instituto de Ciências Humanas (ICHS), ocorreu em um clima descontraído e contou com a interação dos alunos em diversos momentos. Com o tema “Aspectos Visuais da reportagem”, a bancada foi composta pelo fotógrafo Eugênio Sávio, pela infografista Renata Steffen e o repórter freelancer Alexandre Rodrigues, além dos mediadores Ricardo Augusto, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e o estudante Lincon Zarbietti.

Entre os temas, destacaram-se a necessidade de se ter design e infográficos nas matérias. Segundo Renata, “é impossível não ter design. Mesmo se for apenas uma fonte de letra diferente. Porém não se pode fazer infografia, só porque é legal. Tudo vai depender da pauta tratada, e do público-alvo. É isso que define a melhor forma de se contar uma história”.

Foi proposta também uma discussão sobre as exigências do mercado atual e como lidar com o crescente número de ferramentas midiáticas, além da necessidade de possuir conhecimento sobre tecnologia.

 

 Faltam cursos especializados

Pelo fato de ainda não existir cursos de formação em design editorial, o melhor jeito é aprender na prática. O que importa na profissão é desenvolver um olhar crítico e saber diagnosticar onde é necessária a presença de fotos e infográficos para que a notícia, além de informar, possa também entreter, comunicar e segurar o leitor.

O repórter Alexandre Rodrigues destacou também que é muito complicado para as universidades acompanhar a evolução tecnológica, e pelo fato do curso de comunicação não possuir em sua grade matérias que aprofundem mais na área de infografia e design, uma alternativa viável é convidar profissionais da área e informar os alunos sobre as possibilidades do campo de aspectos visuais.

Texto Tamires Duarte

Foto: Júlia Mara Cunha

Aspectos visuais da reportagem

A palestra sobre aspectos visuais da reportagem foi uma das atrações da segunda noite da Semana de Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). A palestra contou com a presença dos convidados Renata Steffen, Alexandre Rodrigues e Eugênio Sávio.

Renata é infografista da revista superinteressante. Foi a primeira a falar e deu exemplos do seu portifólio, contou como funcionam os infográficos nas matérias jornalísticas e citou a importância das imagens nas reportagens do dia-a-dia.

Segundo ela, a função das imagens não é somente ilustrar, mas também de informar, pois elas falam por si só. O primeiro aspecto a se levar em consideração para se adequar uma imagem a uma revista é seu público-alvo. Diferentes públicos-alvo pedem diferentes infográficos. Não seria possível, como exemplo, utilizar a mesma foto para ilustrar a Capricho e a revista Veja.

Renata comentou ainda a respeito da importância da fidelidade de informações para se compor uma ilustração. Cada imagem deve ter exatamente a mesma proporção e a cor do real que ela almeja representar.

Alexandre Rodrigues abordou o uso dos infográficos há alguns anos, quando eram vistos apenas como uma maneira de ocupar espaço. Ele lembrou ainda que a infografia surgiu na época da Marcha de Napoleão, até chegarem às complexas ilustrações em três dimensões já disponíveis na web hoje em dia.

Eugênio Sávio, fotógrafo profissional, que já trabalhou em diversos veículos de comunicação e atualmente é professor da PUC-MG, foi o último palestrante da noite. Eugênio foi muito bem humorado e fez de sua palestra um verdadeiro stand-up. Contou as diversas experiências no exterior e os inimagináveis tipos de fotografia que já obteve. “A fotografia é importante porque é a tradução pessoal de informações e sentimentos. Ela diz tudo por si própria. Fotografia informa, emociona e convence, e seu elemento mais importante é o fundo”, afirmou.

Questionada sobre o possível “salvamento” do jornalismo pelo designer, Renata foi enfática ao afirmar que isso não ocorrerá, pois o trabalho deve ser feito em equipe pelo jornalista e infografista. Alexandre complementou dizendo que se algo salva o jornalismo é a pauta. “O que salva de fato é uma pauta interessante, pois com uma pauta ruim não há gráfico suficiente que prenda atenção do leitor”, disse.

Texto: Janderson Coimbra França

Professores apresentam projetos de pesquisa

 

O Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) contou, na última quinta, dia 27, com o Seminário de Pesquisa, Ensino e Extensão. Nele os professores do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) apresentaram seus projetos de pesquisa.

“É muito importante mostrar para o estudante e para os professores os projetos que estão sendo produzidos”, declarou a presidente do colegiado do curso, Marta Maia. Na visão dela, o seminário serve como incentivo para os professores em novos trabalhos e para uma maior procura dos estudantes por projetos de pesquisa.

O seminário, que faz parte da programação do segundo dia da 3° Semana de comunicação da UFOP, contou com um rodízio de professores. Cada um apresentou os projetos que já foram realizados ou que ainda estão em andamento. Além deles, os alunos bolsistas também participaram da mesa, falando um pouco sobre os trabalhos dos quais faziam parte. Foram diversos temas abordados, como cinema, rádio, política, mídia e cultura.

A apresentação dos projetos contou com uma média de 35 pessoas, entre estudantes e professores e encerrou-se com a professora Marta Maia ressaltando a importância de fortalecer as pesquisas em favor de uma melhor formação universitária.

Texto: Rafaela Silva

“Vocês estão todos ferrados”

 

“Vocês estão todos ferrados”. Foi essa a afirmação mais bem-humorada da noite de quinta passada. Dita pelo fotógrafo Eugênio Sávio na mesa de debates da Secom, trata da infografia e da exigência para com o novo profissional do jornalismo.

A mesa intitulada “Aspectos Visuais da Reportagem” contou ainda com a presença da editora de arte da Superinteressante, Renata Steffens; do jornalista Alexandre Rodrigues; entre outros. A discussão – diga-se de passagem, muito bem organizada – propôs aos presentes uma reflexão sobre as novas exigências do mercado e como os novos jornalistas irão lidar com as novas ferramentas midiáticas.

O que ficou evidente após o lançamento de idéias e questionamentos sobre o uso da infografia é que ela tem o papel de complementar, rápida e visualmente, o que não necessariamente precisa ser dito no texto. “Na infografia, temos a tradução de dados compostos para o simples”, afirmou Rodrigues. Também foi dito pelos componentes da mesa que é necessária uma adequação ao tipo de leitor no momento da criação de infográficos, bem como na criação dos textos jornalísticos.

“Ninguém sabe mesmo, nem quem está fazendo”, disse Renata, quando colocada em xeque as novas tecnologias de informação e a exigência do mercado com os profissionais da área. O irreverente fotógrafo Eugênio Sávio ainda completou dizendo “se a gente começar a falar de mercado, a gente pega e vai embora”.

“Achei a mesa ótima, o tema super pertinente. Os profissionais presentes conseguiram passar informação e deixar o ambiente descontraído e agradável”, revela Thamira Bastos, estudante da Jornalismo.

Os conceitos foram expostos de forma tão prazerosa que as três horas de debate pareciam apenas alguns poucos minutos, assim foi a segunda noite da 3ª Semana de Comunicação da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Texto: Kaio C. Barreto

Fotos: Arthur Medrado

Pesquisa no segundo dia da Secom

Por Pedro José de Carvalho Gomes

Seminário de Pesquisa e Extensão foi o tema tratado durante a tarde de quinta-feira

Estudantes de diferentes cursos compareceram ao auditório do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) na tarde da quinta-feira, 27.11, para participar do Seminário de Pesquisa e Extensão, realizado durante a 3ª Semana de Estudos em Comunicação Social (Secom). O evento, que estaria marcado para as 14 H, teve início com atraso de quarenta minutos, mas não foi o suficiente para tirar o ânimo dos alunos ali presentes.

Os professores e bolsistas de Comunicação Social – Jornalismo da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) foram convidados a participar do seminário, onde apresentaram seus projetos e pesquisas. “Achei o seminário interessante e muito produtivo pelo fato dos alunos conhecerem pouco sobre os projetos de iniciação”, disse Mayra Santos Costa, que cursa o segundo período de jornalismo pela UFOP. “Foi bom para quem se interessa por certa área de cada projeto, para poder entrar como voluntário ou bolsista”, completou.

A culpa não é minha

Por Kênia Marcília

A preocupação com a questão ambiental é recorrente nas discussões no âmbito acadêmico, nas escolas e até mesmo no convívio familiar.

Termos como poluição, escassez, desmatamento, efeito estufa, se tornaram comuns no vocabulário do brasileiro, além da afirmativa constante de que é necessário conscientizar a população, mas isso não é contraditório? Todos os dias são veiculadas campanhas publicitárias sobre preservação, nos jornais matérias sobre o caos e consequências da degradação ambiental ocupam grande espaço, palestras abertas ao público, disciplinas cujo eixo principal é a consciência ambiental são acrescentadas ao currículo escolar, sem falar na realidade visível que nos cerca e ainda assim reafirmam o discurso sobre a conscientização.

A palestra ministrada pelo professor Reges Schwaab, durante a realização da Secom, na tarde do dia 26, enfatiza essa dispariedade. As pessoas sabem, vêem e sentem na pele as consequências da destruição ambiental, mas comumente recorrem às justificativas de que “não sou o único responsável”, “sozinho não faço diferença” e o pior! “Não tenho tempo pra pensar nessas coisas”.

Transferir a culpa para o outro é uma prática comum entre os brasileiros, queremos soluções políticas, responsabilizamos as grandes empresas, as leis ambientais, é claro que esses segmentos têm ligação e responsabilidade direta com questão ambiental, o que não nos redime e libera da responsabilidade individual, e aqui, o jornalismo tem papel inquestionável, muito mais que alertar cobrar e disseminar discussões acerca do compromisso do cidadão com o meio ambiente.

Uma fala do professor Rege me chamou a atenção durante a palestra: “Estamos caminhando para um colapso”. Assustador, mas inquestionável, resultado dessa afirmativa suicida com a qual infelizmente e vergonhosamente nos acostumamos: “a culpa não é minha”.